Home
Acadêmicos Titulares
Acadêmicos Correspondentes
Acadêmicos Honorários
Contos
Crônicas
Entrevistas
Eventos
Expediente
Galeria de Fotos
Haicai
Memória Acadêmica
Notícias
Novos Talentos
Patronos
Pensando o texto
Personalidades Petropolitanas
Raul de Leoni
Soneto
Trovas
Versificação
Vídeos
Vitrine Literária

 

HINO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE POESIA
"CASA DE RAUL DE LEONI"

Letra e música de autoria do Acadêmico Roger Feraudy (1923 - 2006)


Academia Raul de Leoni,
cultuamos com amor e alegria,
para sempre teu vulto lembrado,
será por todos exaltado!
Academia Raul de Leoni,
que nós celebramos com poesia,
teu nome, glória da literatura,
expoente do saber e da cultura!

A Luz mediterrânea
ilumina o nosso ideal,
brilhando tão espontânea
no teu verso original!

O teu nome pertence à história,
mas no Silogeu estás presente,
viverás eternamente
como exemplo na memória,
inspirando nossa gente!

 

Versificação  

Aprendendo a Versejar

Pequeno curso de  metrificação e composição poética                                                                                       

( Para  principiantes)

 ( No qual se pretenderá dar àqueles que  queiram dedicar-se
ao cultivo da arte da expressão poética, os conhecimentos necessários para seu bom desempenho.)

-- 1--

Primeiro passo: definir o que seja Poesia

Para tanto, diremos primeiramente o que ela não é.
Poesia não é um poema
Não é um verso
Não é  um  soneto
Não é uma trova, etc.

Embora cada um desses itens possa conter Poesia.

E como estamos usando o verbo conter
Faremos, em seguida, uma comparação que  ajudará                          a elucidar esse caso.

Imaginemos um pote. E o líquido que ele contém, ou  que          possa conter. Nessa comparação, o pote seria o poema
e o líquido, a poesia.

Assim como pode existir um pote vazio pode também
existir um poema sem Poesia
Então, o que  vem a ser Poesia?
A mensagem emocional contida no poema.
A beleza, o encantamento contido nos recônditos
das  palavras. A beleza do imponderável.
Isso,  certamente, é Poesia.
                                             

-- 2 --

Embora possa existir Poesia nas mais variadas formas
de expressão artísticas, aqui trataremos da expressão
poética  contida  nos  poemas.

Agora definiremos, então, o que seja um poema.

Um poema é um verso, ou um conjunto de  versos
nos quais se pretenda conter, ou em que achamos contida                                   a Poesia.

E o que é um verso?
Um verso é qualquer linha de que se  compõe o poema; um conjunto de palavras unidas na intenção de poetizar, isto é, de transmitir Poesia.

Como sabemos  se os versos contem Poesia?
Simples. Ela nos vem em forma de emoção e encantamento,
tocando  nossa  sensibilidade. Se houver poesia nos versos, nós a sentiremos.

Donde se  deduz  que a  sensibilidade é a característica
intelectual de fundamental importância para vivenciar-se
a Poesia.

E os versos se encontram arrumados de forma a dar
a mensagem que se queira à expressão poética.

E é a essa “organização” dos versos que se dá o nome de poema.

O que pode  se  dar das  mais variadas maneiras.

 

POEMAS 

Um poema, isto é, a organização dos versos, pode se dar das mais variadas maneiras.                                                                                             

Existem aqueles que são de forma fixa e aqueles que são de forma livre.

Poemas de forma fixa são os que obedecem a uma “organização” pré determinada, e os poemas de forma  livre são os  compostos e organizados de acordo com o gosto de quem os faz.

Exemplo: Poemas de forma fixa : Trovas , sonetos, sextilhas, etc.

Veremos agora como se compõem poemas de forma fixa.

                                          --//--
Inicialmente é necessário aprender a  metrificar, pois os poemas de forma fixa tem sempre um número certo de sílabas, e as sílabas
na composição poética se contam diferentemente do que o habitual.
--//--

--3--

METRIFICAÇÃO

As vogais  são:  A-  E - I- O - U

Vogais tônicas são aquelas em que  no contexto da palavra aparecem  acentuadas ou em que recai  naturalmente a tonicidade da pronúncia. Exemplo: tônicas acentuadas -Amanhã, você,  já . tônicas não acentuadas : Aqui , ali , tatu.
São as  palavras  oxítonas, aquelas em que a acentuação tônica recai na última sílaba.

 

                     O que é  preciso saber:

Sempre que na composição de um verso uma palavra terminar em vogal átona e  a próxima palavra começar também por uma vogal, átona ou tônicas,  elas se unem formando uma só sílaba. Exemplo:

“Tu choraste em  presença da morte?
Na presença de estranho choraste ?”

Assim, o verso que seria                                                                                Tu-cho-ras-te-em-pre-sen-ça-da-mor-te- (11 sílabas)
Na-pre-sen-ça-de-es-tra-nho-cho-ras-te -(11 Sílabas)

Passa a ser: Tu-cho-ras-teem-pre-sen-ça-da-mor-te (10sílabas)
Na-pre-sen-ça-dees-tra-nho-cho-ras-te (10sílabas)

É preciso  saber também:

Nesses dois versos do poema de Gonçalves Dias, dá-se a elisão
( união, fusão) Além disso é preciso saber, para a contagem das  sílabas de um verso, que só se contam as  sílabas até  a última  sílaba tônica do verso.

Voltemos ao exemplo acima.

Tu choraste em presença da morte?
Na presença de estranho choraste?

Nesses versos contam-se as  sílabas assim:
Tu choraste em presença da mor       (te)?
Na presença de estrranhos choras      (te) ?

Os  versos passam a ter 9 sílabas.

TROVA

Daremos início ao exame de poemas  em forma fixa com o estudo da trova . Repetindo:  Trova é um pequeno poema em forma fixa, cuja característica é a de bastar-se a si mesma, isto é, dizer tudo o que tem a dizer sem necessidade  de se estender para além de seus  4 versos .  Ela aborda e encerra o assunto em si mesma, seja qual for o assunto abordado. Assim, uma trova será  sempre completa, inteira, concisa e  sintética. Pode ser poética,ou lírica, assim como pode ser jocosa, irônica ou feita em  homenagem a algo ou a alguém. Seja o que for e qual seja sua mensagem, será sempre de forma fixa. O que equivale a dizer que ninguém poderá compor  uma trova a seu bel-prazer, mas terá que fazê-la sempre de acordo com regras pré estabelecidas.


Eis as regras:                                                                                                                          Compõe-se a trova de 4 versos, contendo  cada verso 7 sílabas poéticas  (Versos setessilábicos ) Sendo ainda obrigatório que esses versos rimem entre si de  seguinte forma: o primeiro verso com o terceiro e o segundo com o quarto. 

Como as regras da composição poética  para os poemas de forma fixa são três, A saber : METRO,  RIMA  E  RITMO,
fica faltando  mencionar o elemento ritmo para a composição da trova. O que faremos mais adiante quando o estudante estiver mais familiarizado com o tema.

Examinemos a seguinte trova:
Teu riso é  súbita aurora,
doce  rolar de  cascata
que, sendo meu, me enamora
e, sendo de outros, me mata.

Trata-se  de uma trova poética, ou lírica, pois a mensagem está oculta no duplo sentido das palavras: “ teu riso é súbita aurora,
Doce  rolar de cascata...”
O metro está  correto:Todos os versos contem sete sílabas poéticas:                                  Teu-ri-soé-sú-bi-ta-au-ro-  (ra)
do-ce-ro-lar-de-cas-ca-     (ta)
que,-sen-do- meu- mee-na-mo-  (ra)
e,- sen-do- deou -tros- me-ma-    (ta)

As rimas estão corretamente colocadas: aurora/ enamora
cascata / mata   

Examinemos agora a seguinte trova:

                                                       Tu dizes que eu não gargalho...
Sim, eu não gargalho, pois
o amigo de quem me valho
Já gargalha por nós dois.

Trata-se de uma trova jocosa, porém perfeita. Pode o estudante  agora conferir a metrificação e a disposição das rimas, não esquecendo de só fazer a  contagem das  sílabas até a última  sílaba tônica de cada verso: garga  (lho)
va   (lho). 
--//--

 

Examinemos agora  aquele que é o mais nobre de todos os poemas
De forma fixa\;                        
O  SONETO

O  soneto  compõe-se  obrigatoriamente de  dois  quartetos e dois tercetos.                                                                                                        Quarteto é uma estrofe composta de quatro versos e terceto é  a estrofe composta de três versos. 
Com isso  ficou claro que  estrofe  é o nome que se dá a um conjunto com  qualquer quantidade de versos.

                                               --//--

Até agora já vimos que a composição poética de forma fixa  se obriga  a duas  coisas : Rimas e Metrificação, ou a correta contagem das  sílabas em cada  verso. Agora aprenderemos  o terceiro elemento :  Ritmo. O que dá o ritmo a uma composição poética é  a acentuação tônica  no interior de  cada verso.
Examinemos o primeiro quarteto do seguinte  soneto:

 

Para que fosse mais do que um momento,
Mais do que um sonho o amor que te  inspirei,
Um mar entre nós dois eu coloquei
E o que sobrou foi mágoa e pensamento.

Tentemos perceber agora o ritmo dos versos nessa estrofe, isto é, onde recai naturalmente a acentuação tônica em cada verso. Para tanto digamo-lo em alta voz .

Para que fosse mais  do que um momento. Logo perceberemos que é na sexta sílaba. “ Para que  fosse mais do que um momento”.
Examinemos o verso  seguinte:                                                                 “Mais do que um sonho, o amor que te inspirei”                                                        Percebe-se claramente que  a  acentuação tônica recai na quarta e  na sexta sílaba.
Vejamos  o verso  seguinte:  Um mar entre nós dois eu coloquei.
Verifiquemos a  acentuação tônica desse verso.
“Um mar entre nós dois eu coloquei”                                                              Veremos que a  acentuação recai na segunda e  na sexta sílaba.

Conclusão: Nos versos decassilábicos, isto é, que se compõem de dez sílabas poéticas, a acentuação tônica  recairá obrigatoriamente na sexta sílaba de cada verso, ou na quarta e oitava sílaba ,como exemplificará o verso abaixo.
“Eternamente te amarei  também”

Recapitulando:
Soneto é uma composição poética que se compõe de  dois quartetos e dois tercetos ,- terá, portanto, quatorze  versos -          que serão obrigatoriamente decassilábicos, isto é , de dez sílabas.

Resta ver como deverão rimar esses  versos.

O mais comum é que se rime da seguinte forma: Nos quartetos, no sistema  primeiro com o quarto e  segundo com o terceiro e nos tercetos, primeiro com o terceiro, sendo que o segundo do primeiro  terceto rimará com o segundo do segundo terceto.

 

Mostrando  o sistema :.      ada
ente
ente
ada

ada
ente
ente
ada

or
ável
or

im
ável    
im

Podendo variar para a seguite forma :       ada
ente
ada
ente

ada
ente
ada
ente

ento
ento
ar

aço
aço
ar

                                                                  --//--

                       Depois  voltaremos  ao  Soneto

O comprimento dos  versos.

Há exemplos (raros) de versos de apenas uma, duas e três sílabas que, de tão raros, não convém que nos detenhamos sobre eles agora.
Passaremos a examinar os mais habituais: os, assim chamados, versos em redondilha menor e, em seguida, de todos os mais recorrentes, os versos em redondilha maior.
Os primeiros são de apenas cinco sílabas com acentuação rítmica no segundo verso. Têm grande musicalidade:

Menina donzela                                                                                                                 De tímido olhar
E corpo de amora,
A fase mais bela
Da vida que passa                                                                                                    Tu passas agora.

E agora em  redondilha maior, o famoso verso setessilábico de que, inclusive, se fazem as trovas:

Repara que o tempo passa
Repara que a vida corre
Pois, por sorte ou por desgraça,
Tudo finda, tudo morre.

Nessa trova, os dois primeiros versos estão acentuados na segunda sílaba e os dois segundos versos estão acentuados na terceira sílabas.
Como já ficou dito acima, os versos em redondilha maior permitem acentuação rítmica variada, o que faz desse tipo de  verso uma composição de grande facilidade.

Mais um exemplo de redondilha maior;

No caminho da ilusão
Colho flores de utopia
É grande minha aflição
E frágil minha alegria.

Depois da redondilha maior o verso de maior força e musicalidade é o de nove sílabas, denominado - Verso Gregoriano- Trata-se de um verso de grande beleza rítmica em que a acentuação se dá, obrigatoriamente, nas  terceira, sexta e nona sílabas. Vejamos esse belo exemplo de Gonçalves Dias:

Tu choraste em presença da morte?
Na presença de estranhos choraste?
Não descende o covarde do forte
Pois  choraste, meu filho não és!

 

E agora, de todos o mais nobre, o decassilábico, denominado Heróico,
verso de dez sílabas de que se compõem, entre muitos outros gêneros poéticos,  os sonetos.
Sua acentuação rítmica permite duas formas. Ou são acentuados na sexta e décima sílabas, ou são acentuados  na quarta, oitava e décima. Podendo, numa mesma estrofe, usar as duas formas de acentuação.

Exemplo da segunda forma, isto é, na quarta, oitava e décima sílabas:

Foi quando a noite se fazia escura
Foi quando o dia se findava enfim,
Cheguei-me à cerca e tu chegaste
Em flor, o flor noturna ardente e pura!

E agora um exemplo da primeira forma de acentuação rítmica do decassilábico, isto é, na sexta e décima:

Sigo em busca de ti sempre ansiado
E alcanço tua boca e teu olhar
Que destino não são, mas limiar
De um mundo menos tido que sonhado.

E agora um  exemplo de  como se pode usar as duas  formas numa mesma estrofe:

Triste, de uma tristeza amarga e fria
Que aos  olhos não me sobe em névoa pranto,    
Que não me vem, nem por consolo, ao canto,
Que não se abate nem se evidencia.

 

Em seguida examinaremos o belíssimo verso Datílico, de onze
sílabas. Sua acentuação rítmica dá-se invariavelmente nas segunda, quinta, oitava e décima primeiras sílabas. São versos para serem ditos em voz alta de  forma a que se  perceba toda sua musicalidade.

Eis um exemplo perfeito de Casemiro de Abreu:

Da pátria formosa distante e saudoso
Chorando e gemendo meus cantos de dor,
Eu guardo no peito a imagem querida
Do mais verdadeiro, do mais  santo amor .

Ou de Castro Alves:

A tarde morria. Das águas barrentas
As sombras  nas margens deitavam-se longas;
Na esguia atalaia das árvores secas
Ouvia-se um triste chorar de arapongas.

Resta-nos examinar os versos de  doze sílabas, os Alexandrinos.
Cada verso alexandrino se compõe de dois versos de seis sílabas que se chamam  hemistíquios e que se  completam entre si. Assim sendo, o primeiro hemistíquio deverá terminar em sílaba tônica, ou, se terminar em palavra paroxítona, o próximo  hemistíquio deverá começar com uma vogal átona.
Parece complicado mas não é .Olhemos com atenção essa incomparável estrofe de Olavo Bilac, mestre  dos versos alexandrinos entre nós.                                        Do poema “O Caçador de Esmeraldas”

Verdes, os astros no alto abrem-se em verdes chamas;
Verdes, na verde mata, embalançam-se as ramas;
E flores verdes, no ar, brandamente de movem;
Chispam verdes fusis  riscando o céu sombrio;                                                                                                               Em esmeraldas flui a água verde do rio,
E do céu todo verde as  esmeraldas chovem.

Os versos que extrapolam em comprimento o verso alexandrino já não são versos de  forma fixa e têm, portanto, ritmo próprio.

Trataremos deles em seguida.

 

Copyright © 2007 - 2008 - Academia Brasileira de Poesia - Casa de Raul de Leoni - Todos os Direitos Reservados
Desenvolvimento: Luiz Paulo S. Conceição