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CARLOS CAVACO

Gaúcho de Sant'Ana do Livramento, no glorioso Rio Grande do Sul, era filho de Custódio Carlos de Araújo, valoroso e honrado "Voluntário da Pátria", no decorrer da Guerra do Paraguai (1865-1870) e de Rosa Soares Machado, nasceu Custódio Carlos de Araújo Filho a 18 de setembro de 1878. De compleição física forte, desde menino tinha o apelido de "toco". Realizava proezas de força, sempre aplaudido nas rodas de chimarrão que o pai realizava com os amigos. De certa feita, uma das proezas gorou e o pai, entre decepção e gozação, comentou em meio a gargalhadas de todos: - Menino, você não é "toco"! É um "cavaco"! Daí para diante todos da família e conhecidos passaram a chamá-lo de Carlos "Cavaco", apelido que incorporou ao nome e a seus descendentes. Em 1893 participa da Revolução Federalista e dois anos após senta praça no 18º Batalhão de Infantaria de sua cidade natal. Em 1902 casa com Rosita Luppi e dois anos após fixa residência em Porto Alegre ao dar baixa do Exército. Inicia profícua atividade literária, publicando artigos e poesias em jornais gaúchos e edita seu 1º livro: "Rosicler"(prosa e verso-1905)". Bacharel em Direito, de alma política e panfletária, funda o Partido Socialista de Porto Alegre e abre banca de advogado. Estrela um filme de cinema "Ranchinho de Palha", em 1909, e participa de movimentos e campanhas políticas. Em 1915 funda a revista "Eco Americano" e em 1917, já fixado no Rio de Janeiro, é um dos fundadores da SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais). Em 1921 diploma-se em Filosofia e Letras e em 1926 recebe o título de Doutor, ocupando por concurso a docência da Cadeira de Política na Faculdade de Filosofia do Rio de Janeiro. Em 1922 é nomeado Cônsul Geral de Portugal no Equador, com honras de Ministro. Casa em segundas núpcias com Heloisa Yolanda Bezerra. Participa da Revolução de 30, tornando-se fiel admirador de Getúlio Vargas e nomeado para primeiro oficial de uma Diretoria do recém criado Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio (1931). Dois anos após torna-se Fiscal do Departamento Nacional de Trabalho. Em 1941 passa a Oficial do Cartório do Protesto de Títulos do Rio de Janeiro, cargo pelo qual se aposenta em 1945. Veraneia em Petrópolis onde acaba se estabelecendo com a família numerosa: 2 filhos e 4 filhas. Escreve muitos livros, a maioria vibrantes libelos patrióticos em linguagem candente e vigorosa, peças de teatro, muitas representadas por amadores e profissionais. Orador talentoso e teatral, emociona e arrebata as platéias. Ingressa na Academia Petropolitana de Letras a 14 de junho de 1942, na cadeira nº 28, patrono Castro Alves. Participa de duas Diretorias acadêmicas: biênio 1947-1949 - 1º Secretário; e biênio 1952-1953 - Secretário Geral. Em 1955 recebe o título de "Cidadão Petropolitano". Falece o grande Cavaco a 22 de dezembro de 1961 em Petrópolis. O escritor gaúcho Ivo Caggiani, falecido em abril de 2000, escreveu um belo livro biográfico sobre Carlos Cavaco: "Carlos Cavaco - a Vida Quixotesca do Tribuno Popular de Porto Alegre", editado em 1986. E com muita razão o autor classifica a vida de Cavaco como quixotesca. Realmente, assim foi a belíssima, talentosa e inesquecível criatura humana.

 

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