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| INÍCIO - CORRESPONDENTES - MATHEUS JOSÉ DOS SANTOS |
| MATHEUS JOSÉ DOS SANTOS |

Sócio Correspondente 1119
Petrópolis - RJ - Brasil |
Matheus é Mineiro de Ponte Nova. Estudante. Reside em Petrópolis Rio de Janeiro. Leitor assíduo. Possui alguns prêmios a nível estudantil poesia e redação. |
| Á LUZ DE VELAS |
IGUALDADE |
É tradição.
por um lado sim
por um vasto lado não.
Tradição da família
falida
faminta
fúnebre
fincada na favela.
Velas velando
suplicando
rente os pratos fartos
de fubá suado,
pedaços de papel, lascas de latas
com feijão cozido
a suor e lágrimas.
Aliás, como o suor e as lágrimas,
o fogo é farto na favela,
é luz elétrica
tétrica,
arde mais ávido.
FLESH
o corpo em repouso.
Por dentro,
coração e cérebro
sangue e sonho
movimentam.
Trina, canta e lati
lá fora.
Por dentro,
o sono sossegando
o cansaço do corpo.
Trinos, cantos e latidos
lá fora.
Por dentro,
começa no sono
mais um sonho.
Rara oportunidade
de se ver sorrindo.
Lá fora,
no ritmo dos roncos,
trinos, cantos e latidos
a Terra apressa o giro,
(estrelas e Lua se despedindo).
e no sonho, aproxima-se o gozo,
de novo, invém ele, invém ele...
de repente
um solavanco!
triiiiiiiinnn,
trinos, cantos, latidos,
chios, martelos, rinchos,
estrondos, ruídos, tinos...
um murro do mundo
dizendo lhe, acorda!levanta!
corra p'ra me acompanhar
(de)COMPONDO
Hoje bytes e silicone.
Já foi sangue.Antes:
areia, cimento e pedra,
petróleo e cana
e café e ouro...,
e carne e osso
e ar e água
e terra e fogo.
e nada.
nada?!
nada.
LESBIANISMO
Sou humano e homem
e corpo e cama...
Onde a Alegria e a Tristeza
a Vida e a Morte
a Riqueza e a Pobreza
a Tarde e a Noite e outras fêmeas
sempre, fugindo de abstinências
e desavenças
(dentro de mim)
se entrelaçam
penetram
berram
gozam e gozam.E o gozo é a tinta
que se pinta os aspectos do meu rosto. |
O branco geme e ri
O negro geme e ri
O Ser Humano somente geme
oprimido pelos brancos e pelos negros.
PERÍMETRO HUMANO
Lento, lento,
lentíssimo o compasso do seu passo,
do seu carro.
Por dentro, corpo adentro;
sem guardas, placas, pardais
e engarrafamento
o desespero galopa á
300 km/h, vai e volta,
numa via, vicinal,
de cascalho, terra e sangue.
ESTRUPO
o mundo muito moderno
mutila pipas e
peões
e muito moderno também no físico
no sexo
vem,virtual,vergando-as
e vergastando vorazmente suas virgens
vaginas
e vidas. Bytes simulam sêmens.
OLHANDO-ME
vi, claramente visto, o rosto todo
sem cor/fosco/, impossível distinguir
se havia riso, pranto ou suor...
Dos olhos ao tronco, tudo oco.
Contudo carregavas sobre os ombros
o dobro do peso de si mesmo,
quilos e quilos de sentimentos.
(Num misto metafórico;
dos órgãos,
do cérebro,
do sangue,
dos ossos
...)
PRATO DE FOME
I
Dentro do peito o que brame?
Fome.
Que lhe pede o coração?
Pão.
Isto ali, que no chão jaz?
Paz.
Rezo tanto e ninguém traz
e o tempo passa, vai indo...
Vivo morrendo, sentindo
fome de pão e de paz.
II
Estás diante da vida
o que tendes a fazer?
Nascer.
Quando vier a fome e a sede
sabe o que irá acontecer?
Sofrer.
Haverá algo que lhe faça
da cabeça aos pés tremer?
Morrer.
É amargo e doce saber
que não é eterno o respirar,
contudo se contentar
nascer, sofrer e morrer.
DO SÉCULO VINTE E UM
Do tec tec truculento
dos meus extáticos dedos
estalando no lombo do teclado
Ao olhar estacado
na tela
no retrato
na tática do bate papo
fujo de um estado
apático tácito
de necessitado
e navego,sem barco,
nesse mar sem água
onde converso
converso e amo
e me satisfaço tanto
que ainda,me afogo. |
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