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INÍCIO - CORRESPONDENTES - MARIA CAROLINA L. DOS REIS
MARIA CAROLINA L. DOS REIS

Sócia Correspondente 1098
Petrópolis - RJ - Brasil
Maria Carolina L. dos Reis, petropolitana, estudante de Letras pela Universidade Estácio de Sá, ganhadora do troféu Francisco Igreja, em 2005, na categoria poesia juvenil.
A palavra Dor necessária

A palavra, ela me revela...
ela vai dizendo tudo de mim sem querer e ninguém sabe.
A palavra, ela me eleva...
me faz percorrer o mundo que, com as pernas, não posso percorrer.
Por isso, vou...
Essa idéia de infinito naquilo que é tocável
me confunde inteira...
Por isso, sou...
e ninguém cabe aqui onde sou só.

A palavra, ela me tira o ar...
tão difícil fica! Nesse espaço tão grande, o perco.
A palavra, ela diz o quê?
À s vezes eu nem sei, mas só com ela sei dizer.
Por isso, estou...
assim rodeada de traços e espaços
feitos mesmo por mim?

A palavra, ela me permite e me prende
– uma idéia inatingível.
Daquilo que não sei o fim
o mistério me encanta
e me remete ao próprio mistério que sou.

A palavra, ela me vem e me é
perseguindo meu pensar na solidão.
Vazio vago e, de repente,
habitável.

A palavra, ela silenciosamente diz tanto
que às vezes me sinto tola: nada disse eu.
Por isso dou...

Dou tudo de mim pra tentar entender
“ reproduzir o irreproduzível”

A palavra...

Fuga de hoje

Quem te ensinou o amanhã?
Quem disse que vai ser amanhã?
Quando o sol nascer amanhã e você nem ver
Já não será amanhã.

É manhã!
Mas os raios nem chegam a seus olhos cegos de ilusão.
Perder a essência é viver da aparência
E ela é como o dia seguinte:
Incoerente
Vazia
Fuginte

O momento é instante
E nele sempre cabe algo mais...
Ele é quase o bastante.
Nem se atrasa depois nem se precipita antes:
Somente agora.

Convenção é hora.
Remete ao desespero, deselabora...
Convenção versus reflexão:
Batalha criada.
Amanhã a discuto.
O amanhã não virá

 

Perdoe-me se pareço tão fria
é que o anseio por agradar
tirou de mim a poesia
e agora tento versar

Versar é difícil
porque as palavras imprimem
um sentido bonito
mas há olhos vazios.
Somente os olhares cheios,
não de necessariamente um chorar
mas de uma náusea precedente
entendem o verso esculpido.

Ah, coração meu
aprende com a alma a sede de amor
porque sem ela não há poeta
sem ela não há verdade e nem mesmo dor