sou poeta
que escreve
brinca
junta
acalma
ALMA
sou fada
que encanta
abençoa
aconchega
reluz
LUZ
sou bruxa
que desilude
amaldiçoa
separa
enerva
TREVA
sou mulher
que luta
batalha
peca
acerta
POETA
CIO
É primavera
Tempo de limpar a alma
Regar o amor
Esvaziar as tristezas
Vibração
Paixão
É primavera
Tempo de cuidar de mim
Buscar a ti
Encantar-me
Seduzir-te
Entregar-me.
É primavera
Tempo de amor
Fecundação
Cio da terra transformada
Da mulher apaixonada.
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Quando a noite é de luar
Sob o brilho nos amamos
Porém se esta luz faltar
Com amor a iluminamos
Num aceno, num olhar
Nos carinhos que trocamos
Não precisa nem falar
Pois cúmplices nos tornamos
Exemplo a quem nos espreite
Aqui, lá, seja onde for
Somos requintado enfeite
Suave fragrância de flor
Um romântico deleite
Completo quadro de amor.
DESAPERCEBIDAMENTE
Deixa que eu te ame
Que você saiba
E o mundo ignore.
Deixa que eu te queira
Que você sinta
Extravase minhas entrelinhas.
Deixa que os versos calem
E só você escute
Meu grito de amor.
CICATRIZES
Ferido peito
Sangra a alma
Restam apenas cicatrizes
Desenhadas na alma
Efeito concreto da dor
Estilhaço,
Lamento,
Algoz que relembra
Tecido marcado
Carne infligida,
Tatuagem inacabada.
Intrépida passagem do tempo
Que a tudo leva
E à face traz lágrimas
Envidraça o sorriso
Feito faca de fino corte
Abre ferida no peito.
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Caem as folhas amarelas
Desmaiam colorindo a estrada
Tapete dourado
Nos meus pés.
Dormem meus versos
Hibernam dentro de mim
Palavras aconchegadas
No peito sonhador.
Folhas e versos
Planam no ar
Magia que se repete
Outono e renovação.
VESTÍGIOS
Na cama desfeita, nas roupas espalhadas
No corpo cansado e alma repleta
Em tudo, resta você
TECELÃ
De fios tão finos
Teci seda florida
Para perfumar teu corpo.
VOLÚPIA
Vestida de luz
Minha pele arrepia ao toque seu
Enchente de desejos
Minhas pernas enroscam nas tuas
Voluptuosamente
Pulsa o meu
No corpo teu
Num gemido assanhado
Meu gozo
Encontra o teu.
FAROL VERMELHO
No farol
Cobertos pelo Sol
Observo duas crianças
Nos olhos poucas esperanças
Brincam com malabares
Conquistam assim o sustento de seus lares
Com tão pouca idade
Do mundo já conhecem a crueldade
Já conhecem o abandono
Já descobriram do mundo os donos.
“Tio, me dá um trocado”
É o que costuma ser falado.
Distraída com a cena
Avisto outras duas crianças pequenas
Carro importado
Rostos corados
Uns conhecem a fartura
Os outros famintos, vida tão dura
Menino de futuro brilhante
Contrapondo com outro num pedir tão humilhante
Menina de vestido gracioso, alegre criança
A outra de trapos vestida, de comum apenas a trança.
Penso na minha solidão,
Que o mundo não é justo não!
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Nos teus braços um dia
Hei de sentir-me
Menina protegida
Moça descoberta
Mulher envolvente
Diva.
Nos teus braços um dia
Hei de descobrir
O caminho
A sedução
A mulher
A diva.
Nos teus braços um dia
Hei de me aninhar
Me encontrar
E lá ficar
Tua mulher:
Tua diva.
POESIA FECUNDA
Sou poesia
Fecunda companheira
Cultivo letras
Crio sentidos
(Re)crio palavras
A paixão é o broto
É o caule
O fruto
Amadureço amores
Apanho a semente
Colho vida
Vida renovada. |