Por caminhos vários me venci
e me vencendo descobri
a trilha surda na qual ouvi a voz do silêncio.
No calar busquei sempre e mais
e por esse querer vacilei
e tanto que nem sei
se por pouco me cansei
ou se de lutar enfraqueci.
Adormeci em braços fracos
e embalei-me em cacos.
E os sonhos o caos formava
castelos negros, de altas torres
a precipícios fétidos e lutas sem fim...
E gritos ouvi e carnes feri, purguei por dores
e por horrores que nem sei ao certo se senti
ou se de sentir tanto, dei-lhes vida.
Uma vida de sonhos que me atormentam,
de sombras que me assombram.
Não sei as sombras que são
ou que quero que sejam,
talvez a dor de um desejo
de apenas viver.
Mas por outros caminhos também passei.
Bosques verdes cortados por águas mansas,
minha face, lavei-a nessa água.
Banhei meu corpo do suor da batalha,
deixei manchas de vida nesse rio.
E esse rio seguiu seu curso.
Eu, por outro lado, continuei
e por continuar outro rio encontrei
e em outras águas me lavei
e outras batalhas venci e árvores derrubei,
uma casa eu construi
e um futuro eu vislumbrei.
O peito aberto sangra lágrimas de vida.
É latente em meu ser a outra face
que se esconde por trás de cada árvore,
cada flor, cada gesto, cada esquina
e sempre.
A batalha me cansou,
me sinto mutilado
me dilacero a cada passo
e me desfaço num compasso.
Mais à frente, no caminho, me refaço
e busco em outro rio, uma vez mais,
meu curso seguir.
Os rios, ah estes são vastos,
tenho a terra toda para trilhar,
muitas águas para me refazer,
muitas flores a colher,
várias outras a plantar,
e tantas outras para, na lembrança,
guardar o perfume, o viço,
a suave textura, o ondular da brisa,
o sussurrar na relva, o suspirar da tarde,
o descansar do corpo
e outros sonhos a sonhar.
Beatriz
17/10/02. |
Acordei de manhã
Abri a janela
A chuva fina caía
E por detrás da montanha
O sol se abria
O arco-íris surgia.
Bem dentro do meu ser aparecia
Um sentimento maravilhoso, com sabor de vida
Ia crescendo, crescendo e resplandecia.
E o arco-íris continua,
A chuva pára
O sol nasce.
Eu acordo, penso e sinto que o
Arco-íris era um sonho.
Sonho chamado vida.
Sonho chamado liberdade.
Sonho que eu queria
Que fosse realidade. |