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HINO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE POESIA
"CASA DE RAUL DE LEONI"

Letra e música de autoria do Acadêmico Roger Feraudy (1923 - 2006)


Academia Raul de Leoni,
cultuamos com amor e alegria,
para sempre teu vulto lembrado,
será por todos exaltado!
Academia Raul de Leoni,
que nós celebramos com poesia,
teu nome, glória da literatura,
expoente do saber e da cultura!

A Luz mediterrânea
ilumina o nosso ideal,
brilhando tão espontânea
no teu verso original!

O teu nome pertence à história,
mas no Silogeu estás presente,
viverás eternamente
como exemplo na memória,
inspirando nossa gente!

 

Contos

André Freire

Acadêmico Correspondente 1097

"Sábado no Méier"
(André Freire)

Manhã de sábado, um calor infernal na 24 de Maio e Edycreid Master Júnior  sai de casa.
Atravessou a rua e, como já é habitual, entrou no mesmo boteco de sempre. Desde quando? Desde menino, uns 40 anos. Jornal na axila, cabelos brancos e ralos, bigode, barba mal feita, gordo. Muito gordo, branco, altura mediana, bermuda folgada e sem cueca, camisa estampada aberta, um peito cabeludo e uma enorme hérnia no umbigo. Chinelas velhas. Um cigarro na boca e um isqueiro que insiste em falhar.
   - Bom dia, seu Manel!
   - Bom dia, seu Edycreid. Como vai a patroa?
   - A patroa tá boa. Tirando uns pobrema nas varize  ela já está melhor. Tá pronta pra outra, seu Manel. A minha patroa é uma mulher forte, num é dessas mulher que num aguenta com o trabalho. A gente agora estamos na maior alegria lá em casa: a nossa filha Valdirene, a caçula - que tem 14 anos, vai ser mãe em outubro. Sabe que ela agora está casada(esses casamento moderno de hoje em dia, sabe cum é?) com um funcionário do Banco do Brasil? Pois é, o meu genro, o Craudinho, filho do seu João da padaria e da dona Rosinda, trabalha no Banco do Brasil daqui do Méier. Ele tem conceito com o pessoal de lá e arranjaram pra ele ser faxineiro de uma firma que presta serviço nas agência do banco. O gerente fala com ele todos os dia e o Craudinho acha que vai entrar pro banco. Sabe cum é, pra tudo tem jeitinho e o rapaz é pobre mas é educado. Vai longe, se Deus quiser.
   Pois é, eu mandei fazer um puxado nos fundo, ele já tá morando cum a minha filha e a gente vamos levando a vida como Deus quer. E feijão e farinha é coisa que num vai fartar lá em casa. A gente somos pobre mas a gente somos humano e uns ajuda os outro e nós quer o nosso neto com a gente.
   Traz um traçado, seu Manel.
   Sabe que  a gente vamos chegando numas idade que o que consola a gente é essas alegria. É o meu primeiro neto! A minha filha Valdirene é muito inteligente e está tirando um curso de computador. Esses emprego de hoje é tudo com muitos curso e diproma. A filha mais velha, a Aline,  tá trabalhando no Bob's de Niteróis desde o ano passado. E o meu filho Edycreid Rafael  tá trabalhando numa churrascaria na Tijuca. Sabe cum é, o salário é pouco mas tem as refeição que ele faz, as gorjeta que ganha e assim vai levando. Ele num tem vício e tá namorando com a filha do Vilso,aquele que é apontador do bicho lá na minha rua.
   Pra compretar, o meu cumpadi Zezinho, aquele que é motorista do deputado, tá cum um sambão na Imperatriz. A gente temos ido nos ensaios pra prestigiar e o pessoal tão gostando. Ele diz que lá tá cheio de boi com abóbora e que em terra de cego quem tem um olho é rei. Excrusive, eles tem uns parceiros que é tudo fera e o deputado tá bancando tudo e já prometeu fazer um churrasco se o meu cumpadi  vencer. Sabe, ele vai tentar vencer primeiro nessas escolas menor mas ele é Mangueira doente. Mas pra ganhar na Manga tem de ser muito fera, seu Manel. O sonho do meu cumpadi é ver o Jamelão cantar um samba dele...
   E a política, seu Manel? Tá tudo uma vergonha! Os preço de tudo vai subindo e a gente se matamos de trabalhar e a grana num chega pro final do mês. Lá no meu trabalho tem um cara que diz que na época dos militar era melhor. Mas tem um amigo meu, o Jurandir, que diz que na época da ditadura a gente não sabíamos de nada porque tinha a tal da censura e todo mundo se cagava de medo de abrir o bico.
   Eu, com os conhecimento que tenho, qualquer dia vou tentar ser vereador. Fazer umas escola, uns posto de saúde, botar mais pulíça nas rua, baixar a infração. Aumentar a aposentadoria da gente que é uma vergonha! E se dé, tentar arranjar umas bocada pros parente e pros amigo, que ninguém é de ferro, seu Manel. 
   Seu Manel, e o Framengo que tá na merda? A gente vamos terminar caíndo pra segundona.
   Seu Manel........
Enquanto fala, vai arrotando, cuspindo no chão, coçando o peito cabeludo e o umbigo. Solta a fumaça do mata rato com muito estilo, descobre mais uma frieira no pé direito e dá uma coçada no saco. Com uma enorme unha do dedo mindinho inicia uma vigorosa limpeza das orelhas.
Abre o jornal - daqueles que trazem sangue junto com as matérias - e passa uns minutos lendo sobre todas as desgraças do mundo. Muitas fotos...
   - Seu Manel, pindura aí que eu vou pra casa. A patroa foi convidada por uns parente dela que vive em Nova Iguaçu, uns bacana de lá, e a gente precisamos nos arrumar. E fica bem longe, seu Manel. Amanhã eu passo por aqui pra contar as novidade.
Chilept, chilept(aquele barulho vem da bermuda ou das chinelas?), Edycreid volta para a sua casa, passos lentos, parecendo estudar todas as pessoas que passam pela rua.
- Essas moça de hoje deixa tudo de fora...
Faz muito calor no Méier e o ventilador do quarto está quebrado.
Preciso ir até o camelô pra comprar um novo.

Parece cansado? Preocupado? Não! A vida não é nada complicada nesse caminhar…
 

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