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INÍCIO - ACADÊMICOS - ACADÊMICOS TITULARES - UGO MILLER
UGO MILLER - CADEIRA 27 - PATRONO: JOSÉ MAIA G. RIBEIRO

Nascido em 18/03/40 no Rio de Janeiro.
Filiação: Angello Alves Filho (Microbiologista e Médico da Organização Mundial de Saúde, prof catedrático) e Júlia Maria Balthazar da Silveira Milleralves – funcionária pública estadual – secretária de finanças de Friburgo.
Admissão – Colégio Granbere – Juiz de Fora 1951-52 – 1° e 2° anos do 1° ciclo (“Colégio São Vicente de Paulo” – Pe, “Colégio Werneck” – Pe). Conclusão do 1e ciclo: Colégio Resende – RJ.
1958 e 1959 – no “Instituto Brasileiro de Relações Humanas” – “curso de Relações Humanas e Liperologia” e “Curso de Psicologia Profunda (Psicanálise) – 1 ano e meio de 1963 a 67 – Curso de Direito na Universidade Federal Fluminense – Niterói – RJ”.
1968 – “Doutorado – Direito Penal na Faculdade Federal Fluminense – que foi desativado no mesmo ano, por causas desconhecidas.
1970/71 – curso áudio visual de francês na “Maison de France” – 18 meses de duração.
De 1975 a 1980, inclusive – “curso de inglês Dy Ford” – Rio de janeiro.
1981 – curso “General Conversation” – C. Dy Ford.
1999 a 2002 inclusive – 2 cursos de Pós-Graduação em Direito Processual Civil na UCP.
Em 1986 construção de minha casa no Vale do Bonsucesso – Pe, de onde nunca mais saí.
Em junho de 1999 vendo a casa e vou para a Praça da Liberdade no centro de Petrópolis. Entro para o Clube Petropolitano; conhecendo Dr. Arnaldo Rippel, que me leva para o “Clube de Poesia” do Petropolitano – ano de 2001.
Em 2003 – publicamos juntos “Os Mutantes” – Poemas.

Em 2008 – Sylvio Adalberto – Presidente da Academia Brasileira de Poesia, convida-me para ingressar em seus quadros – e em 26/06/2008 tomo posse naquela casa, na cadeira 27, fazendo o discurso de minha apresentação o Acadêmico e amigo Dr. Arnaldo Rippel e desde 1984 treino Karatê, sendo até agora faixa preta – 2e DAN.


A Lídio M. Bandeira de Mello A vida – fantasia de uma ilusão perdida

O pintor me ensinou
- a sombra tem cor
ela pois varia
de intensidade, de matiz

talvez, por isso, assim
sob as cores
alegres e gentis
subreptícia se esconda
a dor profunda
que há nas sombras

ah! As sombras que escurecem
até as novas flores
que nos rejuvenescem
de esperanças novas
o coração enedoado
dessas sombras do passado

tentarei, ainda que em vão,
ir pintando as cores
que há nas sombras
ao invés de
nas alegres cores
a sombra que se esconde
que me mata e consome.

Ah pudesse a alma
À invocação de coisas belas
Esquecer-se em doces ondas
A suspirar a brisa
Em suaves iludira a vida

Ah pudesse a alma
Sob eufemismos amenizada
Das dores inauditas
De uma triste sina
Ser enganada
Pela felicidade ansiada
Em verdade nunca atingida

Não dão guarida –
Lenitivos meros!
À alma enternecida
Que tanto almeja... deseja
Mas por desditas imerecidas
A nada jamais chega...

Espinhos cheirando a flor Fingindo

Saudade
Espinhos da rosa
Cuja fragrância
Ela ali deixou
Só nos espinhos
O vento para cá soprou

Que contamina por antecipação
Vãs tentativas de nova floração
Pelos espinhos
Minha alma escorregou,
Impedindo a felicidade
De que,... desde então,
Tem-se apenas mera pretensão

Tapeando a vida indo
Que sou feliz fingindo
A eu mesmo talvez enganado
Troçando até o destino
Vivendo reticências...
Ao ponto final jamais chegando
Conquistas entre aspas
Fazendo orações
Períodos sem sentido
Intercaladas vidas
desconhecido fim.
Meu Túmulo Minha Praça

A aurora alvejante
Alcança raios em mim
Em um túmulo secular
Toda vez voa, se levanta
E eu permaneço no mesmo lugar

Passageiros e eternos se fundem
Facetas de uma unidade só
Ao pôr-do-sol em movimento
Ofereço sossego, a paz
Do meu imóvel contempla.

Pintei a praça defronte (a da liberdade)
Agora vejo – a paisagem, verdes,
Alvas nuvens, montanhas distantes
Mais nada
Só a natureza ilhada
Uma praça abandonada
Nem um banco,
Uma lâmpada sequer
Num poste mal torneado
Nem crianças traquinas
Nem um velho amuado
Nem um barquinho no lago
Ou um bêbado no tal
Poste desequilibrado
Como se o vento
Tivesse tudo levado
Não pus uma alma humana
Uma lembrança da vida malfada
Acho que nela retratei apenas
Minha’alma cansada.
O que se não alcança Paixão Noturna

Se alguém ou algo aqui
Talvez sim ao abstrato amei
Nada é concreto de perene
Nada à disposição persiste
De algo sempre querido...

Toma a face da nossa afeição
Esse como amor, em cada instante
Se concretiza num empirismo
De cada situação,
Se materializando em certo alguém
Ou naquilo no momento cobiçado
Mas habita, em nós mesmos
O algo a ser, por fim, alcançado.

Dissolveria-se a Lua
Sobre a superfície do mar?
Não só seu reflexo
É a própria que se espraia
Na paixão verde do escumar

Como não posso eu
Sem você restar
Quiçá sinta o mesmo
A áurea lua pelo mar

Ondeantes vagas
Ondeante choroso mar
Onde quer que vagues,
Quebrando sobre escumas
Ou com o vento a velejar,
Vadiando pelas praias morenas
Ou ao dourado sol a brilhar
Levarás também o luar.

Poderia ter sido Raios do nascer do dia

Em meio a intensa neblina
Numa tarde apenas amena
Sem chuvas de ouro
Nem pó de estrelas
O rio como distante gemia
As cores se esmaeciam

Tudo transparência
Propicio a mais sentir
Esse imenso vazio
O vácuo do que se alcançaria
Se tivesse sido querido

Mesmo o estéreo
De soslaio saiu
O impossível evaporou
Quimeras – corri atrás
Do que não existia
Nada fiz – à toa

E os sonhos mil sumiram
Pelo tempo consumidos
Não devendo nem talvez
Terem sido concebidos
Adiante considerei:
Sou apenas a sombra
Do que poderia ter sido

Longínqua vista
Longínquos verdes campos
Úmidos das celestes
Lágrimas matutinas
Nos quais cintilam
Raios da aurora
Naquela hora branca –
Como se espargia
A luz do dia!...

Em dolentes cores
E alegorias naturais
E os serenos
Em orvalhos convertidos
Refrescam ainda as margaridas
Docemente por acaso nascidas

Por aveludadas pétalas desciam
Em reflexos ditosos suavemente...
A terra umedeciam
Daquele cheiro perfumado
Dos dias chuvosos que inebriam
E nos fazem suspirar à brisa fria!
De sentimentos amorosos que floresce
À luz interior que nos ilumina.