A Clive Lemos
Quando eu nasci
um anjo gordo
desses de igrejas barrocas
cantou no meu ouvido
“ em cavatinas e bandolinatas”
(e repito até hoje a lengalenga)
“ Viver é claudicar em duas pernas
sem saber qual das duas
é capenga”.
Viver
é despir-se da vida
todo dia
perceber
que hoje a máscara que se tira
amanhã é a mais cara que se cria.
Quando eu morrer
o anjo que abrir o cadeado
sentado sobre a tampa dos guardados
de lá, contemplando a eternidade,
vai dizer, entre risos e muxoxos
- Lá vem o chato falar de claridade!
Sylvio Adalberto |