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INÍCIO - ACADÊMICOS - ACADÊMICOS EMÉRITOS - SYLVIO ADALBERTO- PALAVRAS ESSAS
SYLVIO ADALBERTO


Petropolitano, poeta e contista, Presidente da Academia Brasileira de Poesia; Membro Titular da Cadeira 8 da Academia Petropolitana de Letras. Faz parte do conselho editorial do jornal Poiésis - Literatura, Pensamento & Arte. Por muitos anos colaborou na imprensa petropoliatana. Autor do livro Silêncio Alucinado agraciado com o prêmio Carauta de Souza da Academia Petropolitana de Letras, 1993. E-mail: sylvioadalberto@hotmail.com

Site:http://www.avesdamataatlantica.com.br/poeminimos.html

POEMÍNIMOS ILUSTRADOS
O POETA CRUZA O ESPAÇO
CANTO INÚTIL
OS GALOS DO JOÃO
A POESIA COMO COMUNICAÇÃO
CANTARILHO
COMUNICAÇÃO MODERNA
MITOLOGIA, RELIGIÃO E POESIA
O DEVER E O HAVER
PALAVRAS ESSAS
PARA QUE SERVE A POESIA
QUANDO EU NASCI
INVENÇÃO TEMPO
O HOMEM QUE PINTAVA GIRASSÓIS

PALAVRAS ESSAS

A Paulo C. Nascimento

Existe palavra que sai da boca
com tanta facilidade que parece cuspe.
Já outras, não. São que nem catarro,
grudam no peito e até dói pra sair.
Têm as que beliscam na língua
como se fosse formigamento
de batida de cotovelo em quina de porta.
Algumas chegam feito vento fresco
varrendo a madrugada;
umas outras, pelo inesperado,
lembram dor de topada em pé descalço.
Tem também as que lembram gosto de caqui verde,
demoram a sair da língua.
Gosto das palavras que comem na mão da gente,
mansinhas, como se nem fosse preciso chamar por elas,
feito àquelas que chegam de repente,
e quando você percebe, colam no que você pensou
e ficam ardendo feito queimadura.
Por mim, prefiro as palavras que surgem sem aviso,
mas nunca desprezo palavras manuseadas,
que, às vezes, reencontro, rasuradas,
no corpo do poema em construção.
Não gosto da palavra que lambe a minha mão,
Submissa feito cachorro pedindo carinho,
dessa, sempre suspeito.
Palavra boa é aquela que chega de surpresa
e cabe em qualquer lugar do poema
e a gente nem percebe sua presença,
mas sem ela, o que a gente sente
é como se fosse uma lagartixa
subindo na parede, onde não existe parede.
Há a palavra que chega, tão cristalina,
tão fresca, tão clara, que a gente fica besta
de ver a justeza com que ela se encaixa no verso.
Por mais que seja usada,
você não consegue gastar essa palavra.
O sentimento pode ser velho, a dor, mais velha ainda,
mas essa palavra, sempre será repetida
com o mesmo encanto da primeira vez.
Mas eu quero a palavra transparente,
pluma solta no vento, que transporte
para o branco do papel a minha voz.
Palavras, meu exílio, essa argila de que é feito meu delírio,
que asila o que sinto e não acho palavras pra dizer.

Sylvio Adalberto