Para Elischa Dewes
O poeta cruza o espaço,
há calmaria e tormenta
tudo esquecerá no abraço
da fome que o alimenta.
E vai assim noite adentro
e a noite não é lá fora
a tudo o poeta é infenso
clarões na noite apagada
faz mais escuro aqui dentro.
E morde o peito essa fome
de quem não acha a saída
tudo que a mente consome
torna essa fome mais viva.
De velas pandas sem mastro
a noite escura é uma vaga
a dor que deixa seu rastro
de poesia se alaga.
E cruza o espaço o poeta
furor na noite orvalhada
na noite escura e quieta
seu canto é veia rasgada.
E vai num doce transporte
amarga é só a corrida
sabe o poeta, por sorte,
que a dor é o mote da vida.
Sylvio Adalberto |