A Ronaldo Camarota
Estamos frente a frente.
Sinto seu silêncio
e sei da língua que falo.
Não tomo a iniciativa
para dizer bom dia, ou boa tarde.
Talvez houvesse chance de diálogo.
Mas seu ofício é ficar mudo
e o meu, falar gritando.
Você não me houve
e temos em comum
dor, esperança, uma vez ou outra a alegria,
essa água transparente que às vezes nos inunda,
minhas palavras demais, de um jeito
e de outro, suas palavras de menos.
Nada enche o abismo entre nós.
Algo precisava ser dito.
Entretanto nos despedimos com vagos acenos
e não falamos nada.
Parece que vivemos num mundo digital.
Sylvio Adalberto |