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INÍCIO - ACADÊMICOS - ACADÊMICOS TITULARES - OSWALDO LINO SOARES
OSWALDO LINO SOARES - CADEIRA 08 - PATRONO: ARISTIDES WERNECK


Nasceu no Rio de Janeiro em 12/06/1933, filho de José Lino Soares e de Eliza Valente Soares.
Fez o curso ginasial no Colégio São Bento, no Rio de Janeiro e o curso colegial no Colégio Arquidiocesano de São Paulo, onde começou a escrever poesia aos 16 anos de idade.
Retornando ao Rio de Janeiro ingressou, em 1953, na Faculdade de Direito do Distrito Federal, colando grau em 1957.
Exerceu advocacia particular e advocacia pública, tendo sido, Assessor do Procurador Geral, Procurador Geral Substituto e Procurador Geral da Superintendência Nacional do Abastecimento (SUNAB). Como representante desta autarquia, foi ainda membro titutar da Comissão de Encargos Educacionais do Conselho Federal de Educação, sediado em Brasília.
Exerceu a função de Consultor Jurídico do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 1ª Região e, posteriormente à sua aposentadoria na primeira autarquia, o cargo de Procurador do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
No magistério superior, foi professor da cadeira de Direito Administrativo na Faculdade de Direito Estácio de Sá, na Faculdade de Direito Cândido Mendes e na Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas, onde por 20 anos, lecionou, encerrando sua atividade como professor titular da cadeira de Direito Administrativo.
Atualmente é Procurador Federal aposentado.
Escreveu poesia de 1950, ainda no curso colegial, até 1962, época na qual, por razões de intensa atividade na advocacia, interrompeu sua atividade poética.
Aposentado em seu último cargo público, voltou a escrever poesia a partir de 2004, tendo publicado poemas na coletânea “Terça Converso no Café“, editado pelo grupo Poesia Simplesmente, no Rio de Janeiro, na coletânea do Sindicato de Professores do Rio de Janeiro, na “Argila e no Mosaico“, na cidade de Petrópolis.
Foi eleito em 05 de agosto de 2006 para a cadeira nº 08 do Quadro I, da Academia Brasileira de Poesia.
Em 2009 publicou pela Prazerdeler Editora seu livro de poesia _ Caminho Interrompido, tendo sido distinguido pela Academia Petropolitana de Letras com o prêmio Carauta de Souza. No mesmo ano, foi eleito para o PEN clube do Brasil."
AS TUA MÃOS Ode à Poesia

As tuas mãos morenas,
com longos dedos, esguias,
falam uma linguagem plena
de adeuses, de melodias.
Com a leveza de uma pena
transmitem um idioma mudo.
No silêncio de um poema,
sem palavras, dizem tudo.

O SACROSSANTO RITO DE TE DESPIRES

Valho-me dos cabelos brancos
e dos anos da serenidade
e não mais te ajudarei
no bailado denso de afetividade
de tirar a tua roupa.
Observar-te-ei
a uma distância pouca.
Quero reter em meu olhar tua nudez
para me convencer,
a cada vez,
que o corpo da mulher amada
não importa como seja feita -
é sempre para quem ama
o da Vênus mais perfeita.

POEMA DO TEMPO

O tempo passa.
Frase sem sentido.
O tempo não passa.
O tempo é repetido.
O tempo se renova
em cada dia findo.
O tempo não tem cova.
Segue, apenas, indo e vindo.
Nós é que passamos.
O tempo apenas corre.
Por mais que não queiramos,
a verdade nós sabemos:
o tempo não morre,
nós é que morremos.

O cabelo embranquece,
a memória falha, esquece,
aparece o cansaço
o peito ofegante.
Reduzem-se os passos,
a insônia é constante.

A vista se turva,
diminui a audição,
a coluna se curva,
dispara a pressão.

Os desejos se espaçam
mas não somem não!
As lembranças perpassam,
o futuro é incerto,
o final fica perto,
mas os sonhos não se vão!

A vida se escorre,
mas a ternura persiste
e se o amor nunca morre,
a poesia resiste
e sobrevive ao caixão.

De "Versos da maturidade" – versos contemporâneos

Agradecimento

Agradeço,
com lembrança comovida,
a todas as mulheres
que passaram em minha vida.
Às que amei com paixão
que me deixaram feridas,
às que passaram discretas
quase não pressentidas,
às que se deram com ardor
sem ter retribuição
a todas, a gratidão
pela lição aprendida.

Se pintassem o meu retrato,
meu retrato emocional,
todas teriam o seu traço
na minha imagem final.
Todas contribuíram
pro homem maduro que sou,
todas me prepararam,
todas guiaram meus passos
pro grande amor que chegou.

De "Versos da maturidade" – versos contemporâneos