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INÍCIO - ACADÊMICOS - ACADÊMICOS TITULARES - MARYLENA SALAZAR
MARYLENA SALAZAR - CADEIRA 18 - PATRONO: ERNESTO PAIXÃO


Diplomada em Engenharia Química, pela Universidade do Brasil (atual UFRJ). Dedicou-se, na mesma Universidade, ao Ensino de Pesquisa, onde é professora adjunta. Cursou o Mestrado em Educação (UFRJ) passando a realizar pesquisas sobre a eficiência da didática. Paralelamente, inicia sua atividade literária. Publica poesias em Antologias, da Chrisalis e Shogun (RJ). É membro titular (cadeira nº 18) da Academia Petropolitana de Poesia Raul de Leoni (1982), Tem recebido muitas premiações com seus poemas inspirados e é membro correspondente das seguintes entidades literárias: Associação Uruguaiana de Escritores, Academia Internacional de Ciências Humanísticas, Academia de Letras de Uruguaiana, Academia Internacional de Herádica e Genealogia, Clube de Poesia de Uruguaiana, Clube Internacional da Boa Leitura, Academia Internacional de Letras 3 Fronteiras, Centro de Estudos e Difusão Cultural “Romagüera Correa”, Academia de Letras da Fronteira Sudeste R.S., Instituto Histórico e Geográfico de Uruguaiana, Federação das Entidades Culturais Fronteirísticas, Academia de Trovadores de Fronteira (RS).
Seus trabalhos em Ciência e Educação são regularmente apresentados às Reuniões Anuais da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Realiza palestras em âmbito nacional e internacional. Publica, semanalmente, crônicas no Diário de Petrópolis (RJ), Jornal da Lagoa (Florianópolis – SC), Jornal de Mulher (Florianópolis – SC).
Iniciou sua carreira de cronista na Tribuna de Petrópolis e Gazeta de Notícias. A autora também é contadora de histórias em escolas, creches e hospitais infantis. Atualmente escreve o livro “Recursos Hídricos, Meio Ambiente, Cidadania”, faz também palestras na UFRJ sobre “bioética” aplicada à pesquisa com seres humanos.
Crônicas da Tribuna, da escritora Marylena Salazar, conta história sobre Petrópolis
(Fonte: Jornal Tribuna de Petrópolis)

Marylena Salazar: histórias marcadas pelo carinho por Petrópolis.

Crônicas da Tribuna é uma coletânea de textos publicados na Tirbuna, no período de 1982 a 1992, da escritora Marylena Barreiras Salazar, e que hoje aos assinantes do jornal, através de uma parceria com o Grupo Tribuna. O livro traz textos falando do professor Lacombe, um dos idealizadores do Museu Imperial, sobre o Palácio da Princesa Isabel, a Mosela, o beato José de Anchieta e outros temas. A escritora conta que os textos do livro foram escritos durante a sua permanência em Petrópolis, entre 82 e 92, e “foi muita emoção que as recuperei para o livro”.

A sua ligação com Petrópolis e a Tribuna não é mero acaso: Marylena Salazar nasceu em Petrópolis, ao lado da Casa da Providência, Valparaíso. “Estudei no Colégio Santa Catarina, Colégio Werneck, Ginásio Fluminense, Pinto Ferreira e depois deixei a cidade para estudar e cursar a universidade, mas voltei de 82 a 92, quando escrevi para a Tribuna”. Ela não fala mais sobre sua história, frisando que está descrita na entrelinhas das crônicas publicadas neste livro.

Sobre Petrópolis a escritora afirma que “é a História Pátria! Linda! Preservada (na História) por seus cidadãos. O túmulo dos imperadores na Catedral, é o símbolo. Mais eu escreva, mais escreverei sobre Petrópolis: é inesgotável!”. Ela destaca ainda a importância da Família Imperial na cidade, lembrando que eles poderiam ter escolhido qualquer outro local, mas mantiveram a tradição iniciada pelo Imperador Dom Pedro II, se estabelecendo em Petrópolis e contribuindo com seu desenvolvimento.

Com grande alegria e não escondendo a emoção, Marylena Salazar fala do período em que publicou suas crônicas na Tribuna. “Foi com emoção renovada (cada dia) que escrevia para a Tribuna: sempre considerei Francisco, o Príncipe... outro símbolo (moderno atual) da História-Pátria. Dizia para os familiares que os americanos (povo que muito admiro, pela capacidade de trabalho) dariam tudo para ter Imperador, Príncipe, estes atributos da História da Humanidade.

Todo este carinho pela cidade, por sua tradição e seus personagens, Marylena Salazar sempre faz questão de ressaltar em seus textos publicados na Tribuna e outros locais, assim como nos livros que escreveu, e ao encerrar a entrevista ela não conteve a emoção e afirmou com entusiasmo “Viva Petrópolis”.

O grupo tribuna também se orgulha desta parceria com a escritora que representa o potencial literário da cidade e a importância de Petrópolis no cenário nacional quando se fala em literatura e mais ainda sobre poesia. Marylena Salazar é Titular da Cadeira nº 18 da Academia Brasileira de Poesia – Casa de Raul de Leoni, cujo Patrono é o Poeta Ernesto Paixão. Ela também chegou a ser indicada para concorrer a uma das cadeiras da Academia Brasileira de Letras.

Atividades Literárias

Diplomada em Engenharia Química, pela Universidade do Brasil (atual UFRJ). Dedicou-se, na mesma universidade, ao Ensino de Pesquisa, onde é professora adjunta. Cursou o Mestrado em Educação (UFRJ) passando a realizar pesquisas sobre a eficiência da didática. Paralelamente, inicia sua atividade literária. Publica poesias em Antologias, das Chrisalis e Shogun (RJ).

Ao longo de sua carreira, profissional e como escritora, recebeu muitas premiações com seus poemas inspirados e é membro correspondente das seguintes entidades literárias: Associação Uruguaiana de Escritores, Academia Internacional de Ciências Humanísticas, Academia de Letras de Uruguaiana, Academia Internacional de Herádica e Genealogia, Clube de Poesia de Uruguaiana, Clube Internacional da Boa Leitura, Academia Internacional de Letras 3 Fronteiras, Centro de Estudos e Difusão Cultural Romagüera Correa, Academia de Letras da Fronteira Sudeste RS, Instituto Histórico e Geográfico de Uruguaiana, Federação das Entidades Culturais Fronteirísticas, Academia de Trovadores de Fronteira (RS).

Seus trabalhos em Ciência e Educação são regularmente apresentados às Reuniões Anuais da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). Realiza palestras em âmbito nacional e internacional. Publica, semanalmente, crônicas no Diário de Petrópolis (RJ), Jornal da Lagoa (Florianópolis - SC). Iniciou sua carreira de cronista na Tribuna de Petrópolis e Gazeta de Notícias. A autora também é contadora de histórias em escolas, creches e hospitais infantis. Atualmente escreve o livro Recursos Hídricos, Meio Ambiente, Cidadania, faz também palestras na UFRJ sobre “bioética” aplicada à pesquisa com seres humanos.

SENHORA DONA SANCHA

A senhora Dona Sancha (com vestido dourado)
entrou pela porta a-dentro
beijou todas as crianças
saiu pelo pátio a-fora

subiu a colina de prata
sentou no seu trono de vidro
esperou o Rei voltar
...Da longa viagem
no mar

Oh senhora D. Sancha
conta outra história p'ra mim
a cabeça no teu colo até o sono chegar
traz de volta a minh'infância
"que os anos não trazem mais"
Traz de volta os meus castelos
... meus sonhos
perdidos no mar

Oh senhora D. Sancha
Não responda esta carta
Guarde-a junto aos brinquedos
..."que
os anos não trazem mais!

Faz que as crianças de outrora
cantem e saibam, agora
Que Dona Sancha entrará
...Beijará... e sairá (Descalça)
...pelo seu pátio a-fora

ESTA APRESENTAÇÃO ESTÁ NO LIVRO “DIÁRIO NA ESTAÇÃO TERMAL”, E FOI FEITA COM MUITO CARINHO PELA AMIGA HEBE MACHADO BRASIL

Na hora presente, sentimos uma grande satisfação anímica em elaborar esta simples apresentação da poetisa e prosadora MARYLENA SALAZAR, escritora, jornalista, professora universitária. Através dos seus poemas, Marylena consegue prender a nossa atenção, com a sua cultura e inteligência.
Dividido o seu livro em três partes: “Diário na estação termal”, “Turma 54” e “Crônicas”, encontramo-nos sempre com o poeta que não dispensa o uso dos tons e dos sons de uma gama diversificada aos seus trabalhos.
“Ducha fria”, “Vive-se bem lá” e “Trecho final do diário” são saborosos poemas em prosa, que agradam aos leitores sensíveis.
Os trechos literários da “Turma 54” realçam um período em que a autora evoca tempos vividos, com arte e graça.
A 3ª parte intitulada de “Crônicas” que são realmente agradáveis páginas a que não faltou a magia da palavra poética, como tônica fundamental aos nossos ouvidos... “Ah! as flores!”
O livro de Marylena Salazar vem enriquecer, sobremodo, a bibliografia petropolitana, oferecendo-nos momentos de agradável leitura.
Hebe Machado Brasil

ALGUMAS CRÔNICAS
II Feminismo

-“Lentamente ele foi me jogando fora, jogando fora, jogando fora, da vida dele”...
-“Foram 30 anos jogados fora: da minha vida com ele”.

-“Quanto a mim” explica para a amiga “não me arrependo de nada; viveria aqueles 30 anos ao lado dele outra vez; o homem que eu amo”.

Interrompi a conversa das duas para pedir um esclarecimento.

-“De que modo ele foi te jogando fora?”
-“Bem”, explica ela, levantando os olhos para uma visão remota “foi abandonando a rotina: começou a chegar tarde – ele que era pontual que nem um relógio – depois, passou a não usar aliança – até aí tudo bem, pois já virou moda – a seguir pediu camas separadas, mais...quartos separados, andares da casa separados...como já disse, foi indo, foi indo sumiu...
-“Houve agressões? Brigas?” indago detalhes, já que estamos numa reunião feminista.
-“Pior! Negou-me a palavra, a idéia. A graça de tudo que eu amava”...

Marylena Salazar

(Texto publicado em 01 de março de 1985 – sexta-feira – Tribuna de Petrópolis)

Os anõezinhos azuis

É na hora que o sol se vai e o crepúsculo descerra seu tênue véu, que os anõezinhos azuis recolhem-se em suas cabanas, no estreito vale, e delas, lentamente saem, retorcidos, finos fios de fumaça, também azul.

Durante muitos anos, talvez séculos, a vida sempre fora igual na aldeia e todas as tardes o vale cobria-se de névoa azulada, fundidos num só: céu, montanha, fumaça e anõezinhos.

A vida era árdua para os pequenos habitantes da pequena aldeia. Sua labuta diária consistia em levantar-se com o nascer do sol e, após frugal alimento, o início da caminhada para as entranhas da montanha onde trabalhavam o dia inteiro e só retornavam para descanso, no início do pôr-do-sol.
Chegavam em casa, após permearem estreitos caminhos que circundavam o vale, banhavam-se, colocavam uma veste tosca e escura, com a qual dormiam, comiam frutas com algum mel e neste momento caía a noite.
Invariavelmente à sua chegada já se achavam empilhados 3 ou 4 pedaços de madeira que punham fogo, na lareira com o resto do fumo aceso em seus cachimbos e um pouco de serragem leve e clara que recolhiam, à volta do trabalho, próximo das árvores ou junto aos formigueiros.
Era ao redor da chama que crepitava, até extinguir-se, que eles ficavam, contando como foram em outros tempos, ou lembrando como fora em outros tempos – quando mergulhavam no silêncio – até completa escuridão.
Removiam-se, pesados de sono, para seus pequenos leitos presos à parede e adormeciam profundamente.
Por vezes, pela janela, sempre aberta, entrava um raio de luar que, tímido passava pelo chão, pelas pequenas camas, pelos pequenos corpos, e se ia com o surgir do sol.
Tudo parava no pequeno vale, com a chegada da noite e lá nem grilos ou sapos faziam a sua ronda noturna.
Somente um pássaro, um estranho pássaro negro, voava pelas pequeninas casas, com asas que talvez fossem grandes, lentamente sem fazer barulho, como um original anjo-da-guarda.

Marylena Salazar

Do livro – Petrópolis: Cantos e Recantos

Dona Clotilde e o enxoval antigo de recém-nascido

Foi ela que avisou que lá no canto do sótão, dentro do baú, havia um enxoval antigo de recém-nascido.

Ela fora babá dos pais, dos filhos (ela mesma filha de escravos) e, agora via chegar o neto dos primeiros que ela criara.

A vida passou para dona Clotilde igual que para todo mundo, com coisas boas, coisas difíceis e coisas más; ela separou para si as primeiras.

Seu rosto é alegre, seu corpo é disposto, suas mãos sempre prontas para fazer um doce, bater um bolo ou preparar um cozido.

O enxoval estava lá: muitas pecinhas de cambraia-pele-de-ovo, pequeninas, com delicados bordados de ponto-sombra, rendinhas frágeis presas ponto-ajour também à mão. As mais recentes, ela lembrou, foram bordadas pela Zita, irmã da Nêna (jogador de futebol do Serrano)...

Passa pela minha mão
A camisinha-de-pagão
Cueiros enormes,
Toucas, sapatinhos, babadores

Bebês de outrora!
Onde estarão agora?
Que amores
Que dores

Terão vivido
- Aqueles bebês –
Do esquecido
Enxoval antigo

Marylena Salazar

(Texto publicado em 14 de julho de 1983 – Tribuna de Petrópolis)