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| INÍCIO - ACADÊMICOS - ACADÊMICOS TITULARES - MARCELO J FERNANDES |
| MARCELO J. FERNANDES - CADEIRA 17 - PATRONO: D. PEDRO II |

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Marcelo J. Fernandes, professor, 44 anos (04/02/1963), natural do Rio de Janeiro, Mestre em Letras Vernáculas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. É coordenador da pós-graduação e Professor de Teoria da Literatura da Faculdade de Letras, de Português e Redação Jurídica da Faculdade de Direito da Universidade Católica de Petrópolis, e de Língua Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade Estácio de Sá. Dirige o Colégio Santa Teresa D’Ávila, na mesma cidade, onde reside há sete anos. Também é docente no Colégio Pedro II, desde 2005. Anteriormente, lecionou em vários colégios tradicionais do Rio, como Andrews, Liessin, GIMK e Escola Parque. Trabalhou ainda como revisor, tradutor e como gerente do extinto Banco Nacional, nos anos 80. Músico de formação, estuda violão desde os dez anos de idade, com estudos no Instituto Villa-Lobos e na Escola de Música da UFRJ.
Atua também como Perito Técnico Lingüístico junto ao Fórum do RJ, desde agosto/93.
É sócio-membro da Associação Portuguesa de Ficção Científica e Fantástico, com sede em Cascais, Portugal, desde novembro/98.
Publicou, de março a maio/2000, a coluna “Afiando a língua”, na Gazeta de Petrópolis.
Constitui a banca de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira do concurso vestibular da Faculdade de Direito Evandro Lins e Silva, desde a sua fundação, em 2001.
É membro do Conselho Editorial do jornal Poiésis, desde agosto/2002. |
| noel |
adeus, Eugênio |
o natal é um embrulho
que rasgo aos poucos
desvelando o córner
de uma mesa de botões nova.
meu irmão deita cedo
e deixa intactas as rabanadas
untadas de ansiedade e canela.
é preciso dormir
para que o Velhinho chegue,
descanse as renas
e deixe, sob a árvore
com mentiras de algodão,
os brinquedos comprados de véspera,
na Sears.
o natal é a noite quente
do último aniversário ali:
a casa repleta de tios e avós mortos
primos que cresceram
pais que abriram
dias que escaparam
presentes que fugiram.
remexo os enfeites novos
e luzes que doem intermitentes
reescrevo cartões sem som
a destinatários ausentes;
Insisto nas palavras
que bóiam, rasas, no papel:
reabra,
releia a minha carta,
Papai Noel.
dez/09 |
invejei todos os teus dias
teus olhos em fenda
de uma cor sem nome
teu rajado simétrico,
algébrico e exato
dividindo os hemisférios
do teu torso euclidiano.
teus gestos comedidos
de acrobática leveza
a coreografia estática
do sono sem ponteiros
ou lugar;
a elegância ao comer,
deitar-se e instalar-se entre nós.
teu mau humor estável,
a altivez de prócer
a efígie egípcia
a ira sem metro
o gume das patas
tua juventude sem vezo
iludiu-me até ontem
achando que o tempo
jamais corromperia
o tigre do teu vulto.
Então,
até o dia em que nos reveremos
- no paraíso dos gatos –
onde abundarão peixes frescos,
ratos limpos e passarinhos incautos
e brincaremos com barbantes
e novelos infinitos,
que nunca tivemos.
[ estimar animais
é o grande paradoxo do ser:
é como ver um filho nascer,
crescer, reproduzir, envelhecer
e morrer
antes, absurdamente antes,
de você. ]
abril/10 |
| 447 |
turfe |
para Pedro Luiz
um avião cai
no Atlântico:
228 desaparecem
dos seus
entre eles
tenho um ex-aluno;
sua juventude real
perece sobre caminhos ancestrais
buscam-se restos,
indícios
fragmentos, culpas:
não há pistas, rastros
no piso líquido
que se duplica em azul
não há maus presságios
em barcos que adernam
automóveis que se chocam
ou trens que descarrilam
não desafiam leis seculares
ou desígnios divinos
o desastre aéreo, não.
subtrai vidas
que ousaram
transpuseram
subverteram
transgrediram
no entanto,
a tragédia inevitável
estava escrita nas Centúrias,
nos runas,
nos búzios
nas cartas
em todos os vaticínios:
o céu é dos pássaros
dos condores
dos cúmulos,
nuvem
- ninguém voa impune.
junho,2009 |
meus binóculos
viram mais do que puderam:
pistas, ginetes, ases
sobre bólidos de couro e pêlo
numa festa de sedas em cor
tropéis avassaladores
em duelos fantasmais
dividindo raias
de grama e areia.
meus binóculos
trouxeram junto a mim
o íntimo das rédeas,
semblantes, gestos,
um balé hípico
perseguido no ritmo célere
dos galões ágeis
(sob o jugo dos látegos)
de tordilhos, alazões e zainos.
meus binóculos
teriam gravado imagens épicas,
únicas
raras.
Não.
Não viram tudo o que eu quis,
decerto:
- as lentes não eram para perto.
out/2007 |
| ANTES DE MIM |
CLAUSTRO |
Tenho uma memória prodigiosa:
fatos, datas, fotos,
traços, rostos, cores,
evidências, livros,
mentiras.
refaço passos anteriores
remôo velhas canções
remonto personagens extintas.
foco efemérides vencidas,
gastas pelas ampulhetas,
grão a grão
de costas para o futuro,
o tempo insiste nas pessoas,
bandeiras que dormem
profundamente
e levam a crer:
- recordar é doer.
dezembro,2005 |
a sua presença é boa
cerze nuvens
adivinha sílabas da manhã
reconhece tecidos e fábulas
e infunde chás.
sua presença é pássaro
pousado na calva de estátuas
descobrindo vultos anônimos
numa praça da memória
de gangorras vermelhas.
sua presença é louça
louca
que macera licores
desassombra temores
irmana hiatos
e crê
- como uma cega –
nas pessoas
de olhos claros.
abr, 86 |
| MI BUENOS AIRES QUERIDO |
TAUROMAQUIA |
( “... cuando yo te vuelva a ver,
no habrá más penas ni olvido.”
Carlos Gardel, Alfredo Le Pera)
só te reconheci de dor e pranto
e assim ficarás por todo tempo, baço, gris;
vez e outra, no abandono das calles,
uma milonga me pegava de golpe
e eu, rechiflao em mi tristeza,
também te evocava, perdido.
melhor te entendo agora,
e sigo te querendo avesso à mágoa;
refaço cada passo incômodo,
ainda que tuas fotos doam na moldura.
deixei-te desfeito, descomposto.
teu último compasso costurava a Costa Nera
onde um sol – único que vi –
afogava-se nas águas homônimas do Prata.
ainda em teu corpo, de manhã,
fiz a última prece em teu idioma;
lá fora, a neve de dentro
bordava a última relva do pampa.
jamais terei teu sabor na boca;
apenas teu nome se repete, obsessivo
obrigatório
enquanto um bandoneón
turvará meus óculos sempre
e hoje,
só,
em meu lugar frio e chuvoso,
celebrando tantos invernos.
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não, não:
João Cabral:
entendo teu ardor sevilhano
tuas letras sem carbono
ou glicose
as banderillas ferindo adjetivos
lacerando excessos
entendendo a vanglória do matador
o delírio da Plaza lotada
o brilho da veste rara
o passo algébrico
a bissetriz na nuca
a festa rubra
mista na capa
no gume
na areia
não tem o preço da força negra
que se esvai
- covardia tecida
longe do estéril turbilhão da arena
limae labor et mora
um toro sem plumas sem dobra
enquanto a convulsão dos clarins
anuncia a morte sem vitória
deploro, enfim.
no entanto,
ao rufar do pasodoble,
meu sangue afia adagas
e meu filho tem nome
de toureiro cordobês. |
| TEMPO DE CAQUIS |
não sei o quanto estive ali
nem como partilhei tanto céu
tanta estrela
salvas de risos
festas pagãs
ou não.
os dias, curtos,
coloriam o cenário
pontilhado de caquis
muito pequenos e rubros,
matizando as molduras
- para justificar tanta claridade.
as noites, libertadoras,
traziam um sábio desequilíbrio,
mescla de excesso e pulsão.
sei apenas que,
vencido de sono,
no silêncio trevoso do quarto,
eu revia o mesmo filme,
quadro a quadro
e quase sem volume,
ditongava seu nome na boca
leve
líquido
lateral
até que os sonhos
me reocupassem
e eu,
de novo,
te despisse.
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| OUTRAS INFORMAÇÕES |
Prêmios Literários
V Concurso Raimundo Correia de Poesia -Menção Honrosa - maio/86; I Concurso Nacional de Poesia -Promovido pelo Banco Nacional S/A, 3o lugar e Menção Honrosa - abril/87; I Concurso de Poesias do Jornal Balcão -Prêmio Especial do Júri - abril/88; I Concurso Nacional de Contos (ex- Prêmio Walmap) -Promovido pelo Banco Nacional S/A, Prêmio Especial do Júri - junho/89; Prêmio Jorge Fernandes - Concedido pela União Brasileira de Escritores / Academia Brasileira de Letras -Menção Especial – dezembro/89; Prêmio Universitário IBM – Pontifícia Universidade Católica -2o lugar - julho/92; 4o Festival Nacional de Teatro Infantil de Blumenau - Prefeitura Municipal de Blumenau – Santa Catarina - Menção Honrosa - agosto/2000; IV Festival Carioca de Poesia – Prêmio Lya Luft - Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro -Menção Honrosa - outubro/2004; Prêmio “Publio Virgilio Marone” – sezione poesia stranieri- Accademia Internazionale Il Convivio - Itália -Riconoscimento di Merito - maio/2005
Livros editados
“No dissecar do tempo” - Poesia – Edição do autor, novembro/85; “Poetas Brasileiros Hoje – 86” - Antologia – Ed. Shogun Arte – RJ, maio/86; “Treze Poemas Escolhidos” - Antologia – Ed. Divisão de Marketing do Banco Nacional S/A, abril/87; “I Concurso de Poesias – Jornal Balcão” - Antologia – Ed. Anancy – RJ, abril/88; “I Concurso Nacional de Contos” - Antologia – Ed. Divisão de Marketing do Banco Nacional S/A, junho/89; “Coleção Noturna” – Ed. Thesaurus, Brasília/DF, maio/07; “futuro do pretérito” - Ed. Poiésis – Petrópolis – RJ, no prelo.
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