- Eu me remoço recordando a infância -
Casemiro de Abreu
Nesta noite,
entre as paredes do meu quarto,
sinto que não sou
nada mais que uma sombra perdida
à procura de uma mão
que está longe de mim.
Sinto e ouço a música
doce e melancólica
cortando o espaço
mas sei que o Natal não virá
para perto de mim.
Sei que nesta hora,
em volta de uma mesa,
há pessoas que cantam
sorrindo o Natal contente
sem procurar entender
os desígnios e os mistérios da vida.
Nesta noite
minha alma se entristece,
porque em mim
existem imagens que não morreram nunca
- as da minha infância, a do meu pai ausente.
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(à Maria Fernanda “Capitão”)
Vem de longe esta voz. Vem da distancia,
que a minh’alma invade e no meu ser habita.
Vem de longe esta voz. Voz de criança,
que canta e chora e que às vezes grita.
É uma voz de um ingênuo linguajar
que me conduz de volta à inocência,
é uma voz que me pede sem falar
pra esquecer meu passado! Minha amardência!
Parece serem gemidos de criança
como se preocupassem com que passo,
buscando dar-me renovada infância.
E aos meus ouvidos vou sentindo
ecos sem responsos do espaço,
sem saber de onde estão partindo. |