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| INÍCIO - ACADÊMICOS - ACADÊMICOS TITULARES - JOSÉ DAMIÃO DOS SANTOS |
| JOSÉ DAMIÃO DOS SANTOS - CADEIRA 28 - PATRONO: LEÔNCIO CORRÊA |

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Mineiro com licenciatura plena em Letras (Português e Literatura da Lingua Portuguesa). Poeta, cronista e ensaísta, membro do Cenáculo Brasileiro de Letras e Artes/RJ |
| NEOBRUXARIA |
O CAMINHO DO NÃO SEI QUANDO |
A Feiticeira ou Bruxa, do momento,
Não tem vassoura ou, de asas, um jumento,
A conduzi-la, no ar, lá, acolá...
Em Machu Picchu, Haiti ou Xangri-lá...
A Feiticeira ou Bruxa a que refiro,
Pega sem sapo, caldeirão ou tiro,
Sem gargalhada histérica, tridente...
Porém com algo bem mais eficiente:
Terno sorriso, voz aveluda,
Brilho no olhar, um toque à mão de fada,
Paz na aparência e espírito acendido:
Pronto a irromper, vulcão adormecido...
No corpo, oásis de ternais venturas,
A plenitude de sensuais loucuras...
Nos obeliscos símbolos do Amor
(Os róseos seios...), vida em esplendor!
Neobruxaria, pois... nada de espantos
E, sim, magia de um ritual de encantos,
Com que me envolve, quer à noite... Ao dia...
A Feiticeira ou Bruxa, a ser Poesia!... |
Em sua ausência, a vida é tão vazia...
Pois que vazios são os meus momentos,
A padecer a Perda dos intentos
De, a pleno amor, viver meu dia-a-dia...
Em sua ausência, perco-me, em tormentos,
No vão cantar, em outra freguesia,
Forjado tema, à falta da Poesia
Com que inspirou, você, meus sentimentos.
Em sua ausência, a sonho, entorpecido,
Vivo, em saudade, o nosso não-vivido,
Na eternidade em que minh’alma a vê.
Em sua ausência, sigo, assim, sozinho,
Qual peregrino, em busca do caminho
Do, não sei quando, reencontrar você...
Para Neide, em seu 4° aniversário de partida em jornada para a eternidade.
Rio-RJ, 14.12.2003 |
| NA NOSSA... |
SUPLICÂNTICO |
Vamos ir pelo aí, sem ter pressa nenhuma,
Mão na mão, quadradões, bem cafonas em suma,
Num papinho legal sobre o mundo, nós dois,
Som, sol, céu tudo, nada, mil coisas... depois:
Um cachorro do quente, um refresco, um sorvete
E sentir que pra gente isto é qual um banquete.
Se o dinheiro chegar: esticada _ um cinema;
Se for curto, paciência, não seja problema...
E se curte adoidado uma noite de lua,
Você muito na minha, eu parado na sua...
Meio sobre o careta, eu lhe compro uma flor;
Você saca, sem grilo, que a minha é de amor,
Bom burguês, um barato, joinha, uma glória,
Ah!... e assim muito gente transamos a estória...
É... vamos ir pelo aí, muito firmes na nossa.
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Ó Senhor,
Eu que não sei,
Como se dá a outra face,
Mas trago de cor a lei:
“ Dar sempre o troco em repasse”.
Ó Senhor,
Eu que me exculpo,
No livre arbítrio ou destino,
Do que, na mente, me culpo,
Mas gozo até o desatino.
Ó Senhor,
Eu que, perdido,
Rogo a vós, com humildade,
“ Venha a nós o vosso reino...”
Sou, das graças esquecido,
Sem tempo ou ânimo ou treino
De fazer “vossa vontade...”
Ó Senhor
Eu que o neguei...
Três vezes... Quão se repete!...
Nem uma só perdoei
Das “setenta vezes sete”...
Ó Senhor,
Eu, que moldei
A imagem da insemelhança,
Não sou digno, bem sei,
Dessa bem-aventurança
De o tridente errar-me em alvo...
Mas piedoso “Agnus Dei”
Uma palavra dizei,
A vossa luz me acendei,
E o pecador será salvo! |
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