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INÍCIO - ACADÊMICOS - ACADÊMICOS TITULARES - JOAQUIM ELOY DUARTE DOS SANTOS
JOAQUIM ELOY DUARTE DOS SANTOS - CADEIRA 24 - PATRONO: JOAQUIM H. G. DOS SANTOS

Um dos fundadores da Academia Petropolitana de Poesia Raul de Leoni, continua no quadro titular na agora Academia Brasileira de Poesia (Casa de Raul de Leoni).
Currículo na Poesia:
Pai e avô poetas; bisavô empresário teatral. Justa ascendência para um poeta, dramaturgo e ator de teatro.
O pai, o avô e o bisavô, todos de mesmo nome: Joaquim Heleodoro Gomes dos Santos, foi a sua escolha para a cadeira nº 24 da nossa Academia. Diz o poeta que ele não tem um só patrono acadêmico, porém três. Seu avô editou os livros de poesia: “Sertanejas”, “Primogenitas” e “Versos” e seu pai produziu “Gaivotas” cujos poemas foram divulgados
em várias publicações mas ainda não editados.
Publicou três livros de poesia: “Cidade em Decomposição”, “Vidrilho” e “Poemas Estelíferos e Velhas Elegias”; e, em edição fora do comércio, o poema “Chico Mendes”, premiado na Bélgica (“Prêmio Raymond Bath”) e pela Academia Piauiense de Letras. Tem publicado poemas em antologias coletâneas, revistas e na imprensa petropolitana, nacional e no Exterior. Alguma produção poética inédita, habitando gavetas de seu escritório.
Dedicado ao teatro, é um dos fundadores do Teatro Experimental Petropolitano e do Grupo Recontando de Comédia. Tem sido diretor, ator e escrito originais para a cena, mais de 30 peças, com 50% da produção já representada em diversos palcos.
Atual presidente da Academia Petropolitana de Letras e do Instituto Histórico de Petrópolis. Fundador da Academia Petropolitana de Poesia, hoje Academia Brasileira de Poesia (Casa de Raul de Leoni). Membro titular, Honorário e Correspondente de várias academias e institutos culturais do País.
Nascido em Petrópolis, 1935, casado com Shirley, pai de Janine, Jaqueline, Fernanda e Silvio Rafael. 10 netos. Reside na Mosela, mas nasceu no Alto da Serra e viveu a infância na Rua Washington Luís. Sempre e eternamente na sua querida Petrópolis.
RECEITA PÁSSARO

Busquemos a receita da criatura
completa
sublime
ideal.
No cadinho de ouro
da anatomia de um ventre
emoldure uma face
uma cabeça gentil
com tudo de uma bela cabeça
principalmente
lábios de qualquer textura.
Assente o obtido
num suave pescoço
que deverá expandir-se
pelos dois lados
até terminar no precipício
de dois apêndices
(que se chamem braços)
que terminem em mãos suaves
de sensíveis dedos
(cinco, no máximo)
em cada membro.
Das pirâmides místicas
busque o contorno seguinte
e nesse mistério da forma
modele o ninho dos seios
- cuidado, ao sugeri-los! –
Devem ser como as montanhas
altivas e direcionadas...
Não esqueça os picos:
devem ser misteriosos
por isso
deliciosos na conquista.
Do arco sensível que sustenta
esse ninho precioso
faça uma curva
de muitos graus
muitas polegadas
que se projete
(uma de cada lado)
em pernas roliças
de um torneado
sem similar
- inimitável! –
que termine em dedos
como os braços.
Para esse novo conjunto
projete duas faces:
sustentando a beleza superior
uma forma geométrica
que emoldure o mistério
- que seja impenetrável –:
o anverso
Em contornos sutis
duas formas redondas
(pode variar um pouco,
se quiser)
que emoldurem estéticas infinitas:
o verso.
Nesse conjunto
escrínio sutil
envolvido pela razão natural
recomende que só o amor
faça ninho.
Tudo pronto, embale em tecidos finos
enfeite de cores
aplique essências perfumosas
e leve ao forno bem quente
da minha paixão.

Se fosse um pássaro
voaria, porque assim
o meu destino,
nem para longe
nem aqui por perto;
voaria
simplesmente
o meu vôo.
Ficaria na janela
no telhado
no arvoredo
bicando seixos
entornados
pelo chão.
Voaria, sim, com cautela
fugindo do alçapão
e, se pego...
nunca mais voaria
nem para longe
nem aqui por perto;
simplesmente
voaria
no choro da solidão.

TESTAMENTO

a Raul de Leoni

Naquele quarto, à meia luz, vida minguante,
O corpo jovem em doença consumido
No derradeiro estertor vê o caminhante
Sem dimensão, nem forma, cor, sem alarido.

- Poeta – diz sombra – é teu este último instante,
Mensageiro da morte estou tão compungido,
Meu coração sem luz, embora triunfante,
Lastima a tua morte sem nenhum sentido.

- Não te lastimes, tanto assim, minha companheira,
A espera da morte é bem melhor que a vida
Se a vida teve encontros de paz verdadeira.

Integro-me ao Olimpo e fica o meu canto
Na eternidade minha obra tem guarida
E fica a matéria, a saudade, o triste pranto.

VISÃO DA GUERRA

para Bush e Saddam

Em caranguejos eu pisei, senti as garras,
Rasguei meus pés no quente pantanal de areias
E nas entranhas do pavor lancei amarras...
A insanidade me fez ver, no mar, sereias.

Estridulantes sons terríveis de fanfarras
Arrebentavam o fraguedo de minhas veias,
Um tão amargo salivar, negras escarras
Perdigotando em minha boca centopéias.

Eu vi a negra rua sem começo e fim
E vi o ocre despejar de urinóis
Que ratos loucos devoravam num festim.

Nojo de morte do futuro então sentia;
As criaturas suplicavam por heróis...
Estavam mortos e ao redor tudo morria.

CONVERSANDO COM O VENTO

Ao vento perguntei, um certo dia,
Ao vento que passava e eu não via;
Ao vento indaguei naquela tarde,
Ao vento que zunia com alarde:
- Ah! Vento, que dominas o espaço,
Que faço eu do vento estardalhaço
Desse meu peito que tristonho morre?
O vento nada disse, nem podia,
Volátil vento, que também morria
Passando esfumado pela vida...

- Ah! Vento, meus momentos de loucura.
Meus instantes de brisa alvissareira
Esfumam-se no ar, que não retém
A centelha da vida que perpassa
Em risos-dores d´existência inteira
E misturando, em seu vai-e-vem,
O ser exangue da velha carcassa!

- Ah! Vento, afaga, beija o meu rosto,
Suavemente me fala de amor,
Rósea minha face já sem cor...
por final, arrebata o meu desgosto,
conduz a minha alma ao esplendor!