Dentro da noite, solto meu grito
Lembrando a minha juventude
A saudade que ainda hoje suplico
Denunciando a minha inquietude.
Envolto no presente, busco o passado
De amor no peito, com toda plenitude
Como o peixe fora d’água, ao mar lançado
Me afogando no amor e na virtude...
Trago comigo a centelha do desejo
Da mulher amada, minha paixão
Por teu olhar, dar-te-ia um beijo
Pra sufocar a min há solidão.
Sem isto, desfaleço sem perdão...
Porém, no final do sonho que desejo
FO meu coração cheio de ilusão...
Triste, sozinho, aos teus pés despejo.
Desejei, sim, não poderei negar
Que naquela tarde de esplendor
Senti vontade de te arrebatar...
De outros braços, meu grande amor. |
Meu rio, meu soberano
De águas tão com turbadas
Desce de vez enquanto
Açoitando a madrugada.
Era água com certeza
Que corria no seu leito
Trazendo a mãe natureza
E o carinho do seu jeito.
Muita vida destruía...
Outras vidas alimentava
Logo ao romper do dia...
À sua margem eu fica...
Olhando aquele grande mar
Tão raro para os meus olhos
Sem, contudo, poder comparar
A turbulência dos abrolhos.
Diante de tanta violência
O meu coração palpitava...
Na minha santa inocência
Vendo a água que passava.
Era o Rio Curimataú
Que dava o seu passeio
Trazia o sapo cururu...
No leito do seu seio. |
Eu jamais senti saudade
Do brinquedo de criança
Nem da minha mocidade
Dela só tenho lembrança...
Digo com sinceridade
Nunca tive maré mansa
Alcancei maioridade
Sem conhecer a bonança...
Cachoeira, é igual àquela
Cidade tranqüila e bela
Onde o céu cheio de cores.
Meu coração palpitava
Sem saber onde ficava
A fonte dos meus amores... |