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INÍCIO - ACADÊMICOS - ACADÊMICOS TITULARES - FERNANDO COSTA
FERNANDO COSTA - CADEIRA 40 - PATRONO: VITORINO SÊMOLA

Fernando Costa - Advogado, Poeta, Jornalista e Artista Plástico. Detentor da Medalha Koeler no grau CRUZ DE DISTINÇÃO, da Medalha Tiradentes, Colar do Mérito Jurídico e de outros lauréis e diplomas. Titular das Academias: Petropolitana de Letras; de Letras Jurídicas; Letras do Estado do Rio de Janeiro, Brasileira de Jornalismo, do Instituto Histórico de Petrópolis; da Brasileira de Poesia – Casa de Raul de Leoni, sendo um de seus fundadores. Autor dos livros de poesias Silepses I e II (1977/1978) – Hosanas (1986) – Caminhando Juntos (1986 e 1987) - Gotas de Cristal (1993) - O Orvalho e a Rosa (1994) – Co-autor: no livro "Colóquio da Língua Portuguesa (1999). Editado em Sintra Portugal – 3ª Edição, e participação em inúmeras antologias, tendo suas produções publicadas também em revistas e jornais.
Visita à importante Empresa MANDA CO., LTD, levados pelas mãos de um de seus Diretores Dr. Oshita Tatsuo. Na foto – Fernando Costa, Célio Barbosa Michiko Maeda, Hayssa Mydori e Oshita Tatsuo. Fernando no Templo

A Terra do Sol Nascente!

*Fernando Costa

Quis o Pai, sob o pálio da Mãe dos Céus que junto a Célio Barbosa retornássemos ao Japão. É um País de inquestionável beleza, progresso e ordem cujo nome é trabalho. Esta foi a quinta vez, que cruzamos os espaços e várias são as descobertas e a perplexidade ante a avançada tecnologia e inventos, primazia essa que não lhe pode ser negada. Nas primeiras viagens Célio integrava o elenco musical "Rio 1977" em inúmeras apresentações com os maiores artistas de ambas as Pátrias, sendo que daqui estrelavam Elizete Cardoso, Walter Wanderley e tantos mais. A partir da década de noventa nossas viagens à Ásia têm como objetivo principal a visitação a nossos afilhados Hayssa, Ricardo Takeuchi e esposa Cláudia, com ênfase e missão entre à Comunidade Católica Japonesa e, nas demais horas buscamos alargar nossos horizontes nas sendas literárias e à cultura geral. O ano de 2010 está repleto em diversas celebrações artísticas de brasileiros que têm brilhado no Japão. E desde a década de 70 Célio Barbosa através de sua arte encantou aquele povo mercê de seu talento e sensibilidade e eu criava e desenhava para o elenco, nessa festa contando a história de nosso folclore, raízes e tradições. Um ponto alto desta vez ,nos 41 dias em terras japonesas foi a entrevista concedida aos Srs. Michiko Maeda que é festejada apresentadora do Programa "Amigo! Chikyu Shimin" -FM Rádio Fukuyama 77.7 mhz - que vai ao ar às quintas-feiras da 1ª. e 5ª. semana do mês e é veiculada por todo o Japão e diversos Países, inclusive o Brasil. Além de nossa matéria constar no Youtube, foi filmada e veiculada pelo mundo. A Direção do Programa contou também com atenção do Diretor Tamio Murata. Outro fato marcante da viagem foi nossa participação nas cerimônias pelo Dia Mundial da Paz que tiveram lugar principalmente em Nagasaki e Hiroshima. Foi emocionante a Santa Missa celebrada na Catedral de Hiroshima, presidida por sua Exa. Revma. Dom Joseph A. Misnes, (com o qual tive audiência especial) junto a incontáveis Sacerdotes, 16 Bispos, Cardiais, dentre eles o Núncio Apostólico Dom Alberto Bottari de Castello e inúmeros representantes de outras denominações religiosas, sem contar as representações Diplomáticas, Chefes de Estado, Instituições religiosas e fiéis em geral. Um agradecimento especial ao Pe. Arnaldo Negri, Pároco da Igreja de Mihara por sua modelar obra evangelizadora. E nos abraços incluem-se os Pes. Hattori Daisuke -Pároco de Fukuyama, Pe. Patrick da Filipinas, Padre Nonaka e tantos outros que espalham Jesus Cristo no Oriente. As visitas estenderam-se aos museus, Casas de Cultura, Templos do milenar Oriente. E sob um calor de 40º contemplamos os arrozais em flor, as belas montanhas, o povo que trabalha e que tem fé. Não poderia esquecer dos incansáveis Senhores Nobuco Ouchi, Oshita Tatsuo, e sua gentilíssima esposa Senhora Michiko, ferrenhos devotos de Nossa Senhora, pelo carinho e dedicação, incluindo também as homenagens à MANDA CO.,LTD. Na pessoa dos Srs. Yoshinori Matsuura, Dr-Kouji Matsubara e Oshita Tatsuo que nos apresentou a bela e famosa empresa que produz os mais importantes produtos benéficos à saúde através da técnica da fermentação. Encerrando esse breve relato devo acrescentar que mais uma vez levei na bagagem um vasto material religioso, em sua maioria Bíblias, Liturgia Diária (Paulus) e obras de autoria do Monsenhor Paulo Daher. Levei em meus faustos obras literárias pessoais e da lavra de Poetas e Escritores das Academias Brasileira de Poesia – Casa de Raul de Leoni, Petropolitana de Letras , de Letras Jurídicas e da UBT.(União Brasileira de Trovadores.) Verdade é que a viagem foi longa, mas enriquecedora. Que não tenha se constituído um prêmio à vaidade mas tenha sido para Honra e Glória do Altíssimo sob o pálio da Doce Mãe, que colocaram em nossos caminhos Hayssa, Tominho, Cláudia, Michiko, Oshita Tatsuo e tantos mais. Não digo adeus aos amigos japoneses, mas um até breve porque eu posso ser limitado mas Deus é infinito e para Ele nada é impossível, inclusive ter desbravado o Japão por cinco vezes!

*Jornalista

Visões

Olhei para o céu e vi estrelas
Olhei nos campos, mil flores
Olhei para o próximo e me vi

Doação

Nunca duvides do sentimento que te deposito
posto que são anos e auroras por inteiro
a entregar-me plenamente, cultivando a semente
num reflorir por sobre raízes quentes
na terra firme dos propósitos e juras ternas
e inegáveis de um passado belo
de um futuro seguro
que é presente na vida da gente.

PINGOS DE LAMENTO

Em cada grito uma súplica,
nos dedos pingados um lamento,
dos olhares lânguidos brotam lágrimas,
nas bocas ressecadas, gemidos;
em cada coração, lanças ferindo;
de joelhos prostrados e de mãos postas
uma oração de esperança
para não deixar morrer o amor,
o sol e chuva que alimentam, aquecem.
Bendita seja a paz para o povo aflito
que sorve o fel e açoites
noite e dia,
já meio zonzo e sem noção da era,
tudo ficou difícil nesta terra...

Honra e glória

Tu és Senhor o supremo maestro
fazes do verde tua partitura
são teus os caminhos, bela paisagem
estás na água cristalina e pura.

Oh! Mestre exímio que do firmamento
dás sol, chuva, brisa amena e luar
o amor é a síntese de teus mandamentos
um todo em igualdade nesse partilhar.

Humilde e casto isento de pecado
Divino e humano nascido de Maria
sob teus ombros carregastes o fardo
em meio a espinhos, fel e agonia.

Quisestes repartir-te em mil pedaços
no pão inteiro e no mais puro vinho
se choro, sofro, junto a teus braços
encontro alento, a paz e o carinho.

És meu Senhor espelho de bondade
trilhar preciso os caminhos teus
Em ti reúnes a Santíssima Trindade
Onipotente e onisciente Deus.

Louvações

Não sei se louvo primeiro
o seu amor e bravura
de uma coisa estou certo
Deus fê-la anjo em candura.

Rima poesia

Escrevo o que o peito dita
Quanto mal sinto ela sai
se na dor brota em lágrimas
se amo, floresce em paz
Poesia, poesia, fiel, leal, companheira
mal surge ao longo da estrada
faz-se sol em primavera
n’alma toda iluminada

MARIA, NOSSA SENHORA

Maria fonte de luz
gerou Jesus, luz do mundo.
Maria fonte de vida
porque nos deu Jesus
o pão da vida
Maria Mãe de Misericórdia
porque é arrimo, pálio
e auxílio dos cristãos.
Maria Mãe do consolo
e saúde dos enfermos
porque é presença viva
em todos os dias de nossa vida.
Maria rainha da paz
e Mãe da Divina Providência
porque é nossa intercessora junto ao Pai,
ao Filho e ao Espírito Santo.
Maria porta do céu
Porque somente da Senhora
que é também Mãe nossa,
nasceu a salvação do mundo.

Três Rios...

Para mim és a princesado vale do Paraíba
Três Rios cortam teus montes
e jorram gotas de vida
entroncamento enorme
esquina de meu Brasil
jovem na escala dos anos
em progresso e encantos mil.

Colóquio

Na pele suada
tão leve e sensual
em doce orgasmo
mais rápido que o tempo
célere qual o vento
ou o nascer do sol.

A Visita do Papa Bento XVI ao Brasil

Faz dois meses em que o Pais recebeu a visita do Sumo Pontífice da Igreja de Cristo, Papa Bento XVI realizada no período de 09 a 13 de maio, seguindo-se o retorno de sua Santidade à Cátedra de Pedro em Roma.

Lembro-me do dia em que o Papa Bento XVI, após a eleição, ao aparecer na sacada do Palácio do Vaticano, emocionado, disse à imensa multidão de fiéis da benevolência do Criador em haver escolhido tão humilde servo para dar continuidade ao pontificado do querido Papa João Paulo II. Quão abençoada a estada do Papa Bento XVI entre nós.

Aqui ele retribuiu com carinho, simpatia e generosidade aos milhares de fiéis, quer nas oportunidades em que realizou seus pronunciamentos, quer nos momentos em que o Pastor foi até seu rebanho não escondendo a alegria ante afagos e gestos filiais que lhe foram dirigidos, desmistificando a aparência sisuda que muitos “ab initio” quiseram lhe impor, deixando evidente o carisma e a simplicidade que inunda seu doce coração e que a todos encantou.

Que as sandálias de S.S. continuem a marcar o amor, a paz e a união entre os cristãos.
A viagem do S.S. o Papa Bento XVI, primeira na América Latina, além de um marco histórico, fez germinar sazonados frutos. A reunião com a juventude, a canonização do Beato Frei Galvão, a visita à Fazenda da Esperança constituíram-se momentos de evangelização e muita fé. Outro ponto de nodal importância foi a abertura da 5ª CELAM – Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe de conteúdo essencialmente religioso. A cerimônia de boas-vindas entre o Sumo Pontífice Papa Bento XVI com Sua Exa. o Presidente Luiz Ignácio Lula da Silva foi das mais cordiais. No Mosteiro de São Bento, pelas ruas, onde quer que passasse eram várias as demonstrações de carinho e hospitalidade.

Nosso Pai, Pastor e Sucessor de Pedro, em todos os momentos retribuiu com amor. Nas diversas alocuções enfatizou sempre a missão religiosa da Igreja de Cristo que tem também a missão de olhar sobre as condições necessárias para a solução dos grandes problemas sociais e políticos da América Latina, com ênfase também aos valores morais e o fortalecimento da Família e o respeito ao Sacramento do Matrimônio, indissolúvel por disposição divina, cuja preparação deve nortear-se desde o namoro e noivado. Quanta beleza, verdade e fé quando da recitação do terço na Basílica da Mãe Aparecida! Rezamos todos juntos naquele dia e em todos os dias, em honra à doce Mãe de Deus e nossa. Por isso, bendito, bendito seja nosso Papa Bento XVI que veio e vive em nome do Senhor.

Coração dói, ah dói!

Lembro-me quando eu, meus irmãos e primos éramos crianças lá nas cercanias de Hermogêneo Silva, Distrito de Três Rios, onde nasci, existia um velhinho de nome Chico Cristino. Ele era de baixa estatura, de barbas brancas e pele de ébano. Fumava cachimbo e andava descalço e dizia-nos que com seu calcanhar poderia matar uma cobra ante à enorme calosidade. Fazia pequenos serviços para nós da redondeza. Era bom e paciente conosco. Não se sabe como surgiu o hábito, nem quem o criou, mas fato é que quando o acenávamos, dizendo-o: “coração dói”, ele respondia: “ah, dói...” E nós, sapecas e em algazarra sempre que o víamos passar, íamos logo atrás dele proferindo repetidas vezes: “Seu Chico Cristino, “coração dói...” e ele logo respondia “ah dói...” Pacientemente repetia ao nosso refrão “coração dói”, o seu lamento “ah dói...” E isso, por dezenas de vezes, sem qualquer irritação ou mal-humor. Gostávamos dele e do som que estas palavras ditas e respondidas repetidas vezes soavam a nós. Hoje percebo-as, como um mantra...

Decorridos mais de 50 anos me vem à memória a saudosa Hermogêneo Silva, das missas, ladainhas, da recitação do terço e das coroações-de-Nossa Senhora. Rememoro o cair da tarde em céus róseos-opala e as histórias que mamãe contava, sentados na imensa pedra estofada que adornava o grande portão de minha casa, seguido ao pontilhão feito em madeira braúna forte e dura como rocha. Mais adiante, existia a linha do trem e a rodovia. Essa proximidade levou-me a ser atropelado aos quatro anos quando papai estacionou seu automóvel do lado direito da rua, e pediu à Marina, minha irmã, bem maior que eu, para buscar seus pertences que ali deixara. Ela não percebeu que eu a segui e o resultado foi o de ter sido jogado por muitos metros à frente do atropelador, que somente parou porque foi interceptado por meu tio Acácio que o fez levar-me direto para o hospital, fato que causou grande consternação e reboliço no local e junto à família, nem se fala. Minha casa era antiga e bonita, fiel ao estilo colonial, repleta de vidraças enormes e em seu interior existiam cercaduras azuis todas contornadas por andorinhas. Talvez, seja por isso que vez por outra deixo a marca dos pássaros nos desenhos que ouso esboçar. À frente do casarão era toda adornada de mangueiras, coqueiros, ipês, mulungus, framboyants que por sua vez, dividiam o cenário com belas bromélias suspensas em suas frondosas hastes. Vários artistas plásticos, dentre eles o consagrado Samuel Salvado retrataram-na em vários ângulos. Eu gostava de plantar flores e regá-las, mais ainda, de ouvir pelo rádio “a escolinha do caçula”, se a Marly deixasse. Ao lado, residiam meus tios Helena e José Martins com seus filhos Cinéia e Luiz, dentre outros, isto é, meus primos, a seguir residiam meus tios Sebastiana e Pedro com seus filhos, os primos Neuza, Ruth, Neila, dentre outros. Tia Sebastiana foi minha professora primária, amo-a desde ontem, até hoje e sempre. Fui aluno também das Donas Geny e Alice Gac, Sylvia Pinheiro de Siqueira e Philadelphia Baptista Reis, nomes que jamais se apagarão de minha memória. Mesmo antes de ser matriculado na primeira série, hoje alfabetização, já havia aprendido as primeiras letras em casa e cuja continuidade deu-se num dos salões, da casa da Tia Sebastiana, que foi cedido para ser nossa escola. Sinto saudades da natureza bela e da vastidão dos campos, dos pomares repletos de frutos da época e do convívio nas fazenda, onde não nos faltou o carinho de Dona Léa Duvivier e de seu esposo Dr. Eduardo, por ocasião das festas da filha Aminta. Relembro os banhos-de-poço, de rio, as águas de mina bebidas em folhas de inhame ,as canoinhas morro abaixo, os mangais, o goiabal, os piques, os esconde-esconde, o cheiro de café colhido e moído em casa, os capins-melado, a terra batida,os enormes cilos, os passeios a cavalo, de charrete, de jeep e à pé, as incursões pela mata, os feixes-de-lenha, da vida na vasta natureza e o caminhar descomprometido até Monte Alegre, para rever meus amigos Eudóxia e Teixeira, seus filhos Rose Heleni, Terezinha e irmãos, e ainda Dona Ginica nossa mãe-de-leite, Dona Carmen, Marina e Mariazinha, Ilma e Jacy, Sr. Ary, e por que não de Dona Luzia Sr. Nito, Nilda, Dona Eny e Cizinho, Dona Geralda e Seu Antônio Neves, Luci, Vera, Fátima e outros irmãos? E nestas lembranças um pedaço de meu coração deixou gravado Dona Anna Nabaldian Phenninger, o Pe. Geraldo Lima, o Pe. Ferdinando Osimani, o Pe. Sebastião das missões, o Frei Estevão, o grupo de jovens e outros mais, a Dona Hilda, Carlinhos, Valcyr e a Família Moraes. Nesses ais revivo a Tia Titita, Tio Aparecido e filhos com os quais aprendi muita história e bela convivência, o armazém dos Srs. Mário e Dona Aurora, Covanca, Chapada, Rancho dos Carros, Santo Amaro, Piabanha, Boca do Fogo e Mato Alegre, o Célio Barbosa das lições vestibulares e de eterna dedicação. Hajam lembranças, Nossa Senhora!

Este prólogo ganha relevo especial para dizer que, a principal personagem, minha Doce Mãe Eliza, ao longo de seus 83 anos e onze meses de vida, 58 anos e 4 meses deles, sem contar os nove meses que habitei o sacrário de seu ventre, tive a primazia de privar de seu convívio e de seu amor. Mamãe foi e é heroína, santa e amiga. Silenciosa qual Maria, Mamãe foi conselheira todos os dias, severa quando necessário e um anjo sempre, para ela, não havia hierarquia ou predileção pela dúzia de filhos, dezenas de netos, bisnetos e pelo trineto. Falando de mamãe, estão interligados em primeira e segunda núpcias os papais Mário e Waldemiro que junto a ela nos trouxeram à luz. Hoje, 17 de janeiro de 2008, Mamãe estaria completando 85 anos de nascimento, mas há um ano e um mês renasceu para o Senhor, sob o pálio da Mãe Maria. E uma lágrima cai, e outras e outras... É impossível controlar a saudade, esquecer... Omitir o ontem e o hoje seria negar o amanhã e tudo aquilo e todos aqueles que fazem parte de minha história, pois são imortais. Seriam simplesmente anulados? Como? Se dentre eles fulgura radiante em luz, minha mãe Eliza? Por isso os meus amigos e minha doce mãe serão sempre amados, louvados e hão de ser honrados geração em geração.

Mais que nunca, ao abrir os faustos de minha pálida história, compreendo e rendo homenagem ao velhinho Chico Cristino que passava pela criançada, com docilidade, clemência e suavidade, respondia-nos, ainda que fôssemos atrás dele por longa distância e repetidas vezes e o perguntássemos “Seu Chico Cristino, “coração dói”, ele respondia: “ah, dói meus filhos, ah dói”...

E como dói Seu Chico Cristino, o coração dói de saudades dos afagos da mamãe, das lições de vida de mamãe, dos exemplos de mamãe, do sofrimento de mamãe, da renúncia de mamãe, da beleza e pureza da mamãe, das chineladas da mamãe, do abraço apertado, olhar terno de mamãe e do acolhimento dos amigos citados e daqueles muitos que não falei, mas descansam em meu peito calejado.

Por isso, escancaro meu coração, convidando-lhes a revisitá-lo, mas por favor, pisem devagar, cuidado com as feridas que por certo irão encontrar. Há pontos que estão corroídos e doem muito. Rendam também comigo homenagens à minha irmã Cleusa, ao Walter, Julinho, Professores Delphino Monteiro, Celso Martins e Maria Eugênea, Dona Martha, Seu Gaúcho, Dona Alfredina, Dona Ermengarda, Dona Jota, João Américo, Sebastião Celeiro, Dona Isméria, Dona Dorvalina, Angelina, Zozoca, Sr. Naminho, Sr. Antônio Augusto, Padrinho Augusto e sua esposa Santa, Mário e Rita Viana, João Higino e Dona Antônia, Sr. Alexandre, as folclóricas Deolinda e Magnólia, Sá Chica, Tio Acácio, avós Camila e Almerinda, Antônio Júlio, Calixto e Santa, Euphrizia e Torrão, Georgino Salustiano, José Cerqueira, Dorothéia e Margarida Ribas que tanto amo. Partilho no mesmo diapasão este preito de gratidão com meus irmãos, desde a Eremita até a Martha, com meus sobrinhos e parentes. Todos têm um lugar de honra “no lado esquerdo do meu peito”. Por isso, divido com os meus, com os seus e os vossos meu coração, mas que dói, dói.

Com toda razão sempre esteve o filósofo popular Seu Chico Cristino quando sabiamente nos ensinou um dia que o “coração dói, ah dói...”.