Todas as manhãs, são sem volta
sem volta são também as madrugadas
repetem-se invertidas, pois não voltam
não retornam os alvoreceres
nem as noites de lua e as tardes chuvosas.
Recusam-se a voltar
os poentes e as nascentes
Pela metade, inteiros ou
aos pedaços não voltam jamais
aqueles que enterramos
nunca hão de voltar.
Não voltam porque são sem volta,
partiram por engano.
Mas mesmo fadados a não voltar,
não desaparecem totalmente.
Voltam na recordação,
voltam na saudade,
voltam na dor,
como você, RODRIGO.
Nenhum gesto volta,
toda palavra é sem volta.
E como aconteceu com você,
toda vida tirada é sem volta,
como foi a sua, meu filho,
pelas metades, aos pedaços
ou inteiras, elas não voltam jamais.
As horas se vão,
arrastam consigo promessas jamais cumpridas,
sonhos que não se realizam.
Arrastam os olhares,
os sorrisos,
as lágrimas e as vidas que jamais voltam.
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