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| INÍCIO - ACADÊMICOS - ACADÊMICOS TITULARES - EPIPHÂNIO MELLO |
| EPIPHÂNIO MELLO - CADEIRA 10 - PATRONO: ARTHUR DE SÁ EARP FILHO |

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Natural de Itaperuna – RJ, é do Clube de Poesia do Petropolitano F.C. Poeta e haicaista, figura em diversas antologias.
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| Suplica a uma mãe |
Animalnidade |
Parto, parteira, parturiente.
Eu quero, eu preciso nascer.
Já sinto, já ouço, não sou doente!
Mãe! Deixa-me te conhecer.
Essa oportunidade é única,
Preciso e devo aproveita-la.
Estou abrigado em minha túnica.
– não me arranque da placenta!
Isso não! Por favor mãe!
– não me arranque de suas entranhas!
Ferro, sonda, fórceps; Não! Não! Mãe!
Não pratique injuria tamanha.
Já imaginou mãe, se Maria, mãe
De Cristo, tivesse praticado
Tamanha calamidade. Hoje mãe
A Humanidade estaria órfã de
Luz, órfã de paz e órfã de amor.
Ferro, sonda forceps!
Por favor mãe! Isso não!
Por favor, isso não
Não, não
Isso não mãe
Por caridade mãe, isso não!
Não, não
Isso não mãe |
Que ser humano é esse?
– Que tem conselho de guerra
E, um material bélico
Com seus diversos calibres;
E, se propõe a ser cristão.
– Que ainda tem guilhotina,
desamor e treisoitão.
– Quem é esse homem; – que se veste
de intensa humanidade.
– Que enche o coração de luz
e se porta como bicho;
enganando seu irmão
ao lhe vender pedacinhos da cruz.
– Faz voto de castidade,
– Pratica pedofilia,
– Legaliza o aborto
– E jogo o feto no lixo.
Que criaturas são essas;
Que se dizem ungidas?
– Que põe cabresto no equino
E, dizem que tem livre arbitrio.
– Que põe grade na janela;
Caco de vidro no muro.
– Que joga pedra na cruz;
E, se dizem filhas de deus.
– Que vida de cão; – é essa?
– Que não tem leite nem pão.
Mas, nas calçadas imundas;
Tem mães vendendo as filhas
Nas esquinas da prostituição
Ou catapultando-as pela janela.
E, o elemento água vai abduzindo
– Aviões e titanics
– Aviões e titanics.
Que ser humano é esse?
Diz; – Que dirige uma ong.
E, é mensageiro da paz.
– Mas quando a chapa esquenta
Ele, só cospe; marimbondo
Ele, só cospe; marimbondo.
– Algo está exalando.
– Xí! – O que será? – Será?;
O modelo brucutu?
– Que está cheirando mal...!
– Xí; ih! Ta cheirando mal
– Xí; ih! Ta cheirando mal.
Ta cheirando mal |
| Hora do Planeta |
País Mandrakeiro |
Ao apagarem-se às luzes,
Na ultima hora da Terra ,
Nesse caminhar histórico
em que o mundo se agita.
Os lideres das finanças,
"brancos de olhos azuis".
Detentores dos poderes
políticos, mafiosos
e os religiosos eletrônicos ;
se entrechocam em conflitos
de afrimações anacrônicas .
Os cantares das mulheres
são uivos de femeas
e estão a serviço
da atração sexual .
O cântico dos homens;
cânticos anciosos e aflitos ;
são gritos de "abastardados"
que ferem a audição ;
pertubando os lentos
equilibrios naturais.
Hipotencando o futuro.
É a substância biológica,
numa cultura bestial,
de vencer pra dominar
"Ladrando" dentro do "SER"...!,
Na soleira do futuro ;
qual rochedo que desafia
às tempestades dos séculos;
o mundo está insatisfeito.
Esse grãozinho de poeira
cósmica , chamada Terra:
desbotada e desarmônica;
se agita ; desorientada
e abatida pela dor.
Prostituída e flácida.
torna a soltar seu mais forte
brado, num suplicante
e agonizante gemido :
Grita e implora; que haja ;
revolução biológica
e o abandono das armas.
E que os seres humanos
precisam se harmonizarem
na organicidade CÓSMICA |
Êta!, Brasil brasileiro;
que tem garrincha e popó;
criança cheirando cola
ou impunhando pistola;
que tem marta, tem fofão
e criancinha sem pão
Êta!, Brasil brasileiro;
que tem um pão de açucar;
n.p.s, sifu...e sifubraz;
velhice desamparada,
malabares em semáfro
com descendentes de afro.
Êta! Brasil, brasileiro;
que, tem berimbal e pandeiro
e, tem roda de bamba
num carnaval de primeira;
que tem tupi/guarani
e seu saci pererê
Êta!, Brasil brasileiro;
que tem caymmi e pelé
tem mulato izoneiro,
que sabe fazer no pé.
E, muitos pratos vazios;
sem o tal feijão tropeiro.
Êta!, Brasil brasileiro;
com esgoto a céu aberto;
tem garota de Ipanema
e princesinha do mar.
que tem 'craque', tem muamba
e tem a Carmem Miranda.
Êta! Brasil brasileiro;
que tem berço imperial
e, um presidente 'canhestro'.
Eleição formatisada
que tem voto de cabresto,
companheiros e cachaçada!
Êta! Brasil brasileiro;
que tem Monteiro Lobato. . .
e ziriguidum de mulata.
que tem noite enluarada,
coqueiro de Itapuã;
e, tem mistura de 'RAÇA'!
Êta! país MANDRAKEIRO!!!
que só recebe 'calote'! |
| Periquitos em revôos |
Carta de Alforria |
Seu hálito estava doce,
e, à sua boca cheirava,
a licor de gabiroba.
Meu olfato, esperiente
colhedor de alfazemas
se deliciava com os seus odores.
O seu anel de topázio
cintilava ao sol.
Como uma ardilosa fadinha,
coroada de flores,
você se espreguiçava
à beira do precipicio;
ao lado de uma ninfa...''desnuda''
que cavalgava um unicórnio.
Embevecidos estavamos
com o majestático por-do-sol
que intumescido de cores
e luz, se precipitava
na garganta do oceano.
Nossos corações pulsavam:
trinta vezes por minuto,
com os seus baticuns monótonos,
e, sentiamos o gosto
dos sais contido nas lágrimas.
- Por exibicionismo:
periquitos, em revôos
completavam o cenário. |
Sou negro fulo, não nego.
Até me faz bem ao ego,
Saber que sou de Angola.
Sou negro fulo, confirmo!
E, se preciso afirmo!
Já não uso mais argolas.
Sou do bem e danço jongo.
Meu nome, e João Congo.
Sou resto da escravidão.
Só preciso de um emprego
Pra garantir meu sossego
Com a paz no coração.
Sou excluído não nego,
E se preciso me prego
No madeiro da sangria.
Sou liberto. Mas, sou fulo.
E, se for preciso osculo
Minha carta de alforria.
Sou fulo, não sou liberto.
Eu trago meu peito aberto,
A desfraldar submissão.
E, de que me vale a carta?
Se não tenho á mesa farta!
E, vivo de esmolação |
| E a luz se fez |
Ser criança |
Do atrito das pedras, o lume que surge
e a chama mordisca o lenho bem seco.
O primata descobre o fogo que urge.
Transformando cavernas em doce aconchego.
As noitadas de trevas eram buriladas
por inedita paz, na cadência do amor.
Eis que surgem abrigos e belas moradas,
desfazendo grilhões de milênios de dor.
Na labuta diária, o ser primitivo
ao soltar as amarras e a alma cativa,
vê nascer no seu íntimo um superego.
Há reforma de fé no altar do Deus fogo.
e, um grito de luz, com mais luz ecoou.
Fez-se nova luz, quando o primata orou.
Meus Olhos Gritam
No bojo do devaneio;
Ficamos horas olhando
Ás águas, e contando segredos.
Na minha tela mental,
As fadas voluteavam
Na superfície do lago,
Numa saudação ao sol,
Símbolo da divindade.
Mergulho no precipício,
Do seu olhar sereno;
Palco dos meus devaneios.
As flechadas do teu olhar,
Se clavam no meu peito.
Seu querer é como flecha,
Que não pode ser detida.
Junto a ti, meus olhos gritam!
Minha boca se cala.
E a mente dissimula. |
É inflar ás velas do seu barquinho de papel.
E, navegar o entorno do seu quintal, conduzindo
A sua esquadra naval. Singrar
Ás águas revoltas, evitando os abrolhos
Do mar revolto da existência.
Ser criança, é rasgar as estranhas
do tempo/espaço, viajando no dorso
da sua arraia,dando linha a imaginação,
no intuito de alcançar as mais altas
esferas do amor universal.
Ser criança, é vestir-se de luz no
Túnel do tempo, despir-se das coisas
Fúteis, mostrando ao mundo a pureza da
Sua nudez.
É deixar se levar pelo rodopiar do
Pião e do sonho. E, sugar do seio
Materno a vida em forma de amor.
Ah! Como é salutar ser criança!
Voejar na leveza dos zangões e na
Graciosidade das rainhas, ir e vir
No vai-e-vem constante das operarias,
Que de flor em flor se embriagam com o perfume
E o néctar da vida.
Ser criança, é sentir o garbo em
Ser o pegador de bento-que-bento-frade.
Em descobrir o chicotinho queimado na
Estância, onde só se encontrava paz e
Fraternidade.
Finalmente, ser criança, é
Disputar o jogo da vida, no bola
Ou búlica, no empate sou rei e no sigo marrais; numa
Disputa sem maldade, deixando imperar
Somente o talento.
– Na minha cosmovisão. Ser criança,
– É antever armas ensarilhadas e homens colhendo flores. |
| CINZAS DA MINHA TERNURA |
Descendo de um caiapó |
À meia luz de nossa alcova,
na tarde que chuvisvaca,
ao ver tua nudez como
botões de rosas orvalhados,
senti lágrimas no rosto
a rolarem como pérolas
quando os teus lábios se abrem
num largo sorriso cálido,
as luzes dos olhos se adoçam,
ao dardejar olhadelas.
Lá nos beirais do telhado,
chilreiam as andorinhas
como o triste brim-brom dos sinos.
E, no bojo do violão,
vão gemer os bordões
dos beijos repenicados,
que estalam na minha face.
Cinzas de minha ternura
foi tudo que me restou
quando queimaste as cartas. |
Largas são as estradas que eu percorro,
levando as bandeiras enfeitadas
de flores, sou do signo de touro,
filha do trovão e amante das fadas.
Minhas raizes embrenham-se nas matas,
sou BISNETA/SOBRINHA de um caiapó.
sou pelo certo, não aceito mamatas.
Fui canoeira no rio iapó.
Na tribo, sou guerreira e primata.
sou da linhagem do sublime Pã.
Sou pelo certo, não conto bravatas.
Junto à tribo nunca estou só.
Eu sou JUREMA ! Filha de Tupã.
Sou BISNETA/SOBRINHA de um Caiapó |
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