Nesta cidade, por entre as hortênsias,
nossa Princesa, feliz, caminhava,
sentindo a terra nas suas essências,
de nosso ar puro ela desfrutava.
Era princesa, muito bem nascida,
herdara o sangue nobre imperial,
mas não furtou-se ver-se enternecida
com a escravidão, pecado crucial.
Num belo dia, em gesto de bonança,
com a Lei Áurea, emocionou o Brasil.
Sem mais escravos, tudo era esperança
e alegria em nossa “Mãe Gentil”.
E nesta serra, a nossa princesa
passou momentos muito especiais:
morou, casou e viveu, com certeza,
os seus maternos sonhos divinais.
Também aqui, num gesto apaixonado,
ganhou do amado algo especial:
Vindo da França, hoje eternizado,
o iluminado Palácio de Cristal.
E lá bailava a nossa Princesa,
belos momentos de pura alegria.
Junto aos amigos, toda a realeza,
ela sorriu em boa companhia.
Nossa Princesa, Petrópolis a ama
e se orgulha por sua existência,
e nosso orgulho reacende a chama
a cada vez que brota uma hortênsia. CHAPEUZINHO VERMELHO - VERSÃO POÉTICA DE CATARINA MAUL
A CHAPEUZINHO VERMELHO,
MENININHA ESPEVITADA,
FOI DAR PAPO PARA ESTRANHOS,
ACABOU NUMA “ROUBADA”.
AQUELE MOÇO EDUCADO
NÃO ERA MUITO LEGAL.
BOA APARÊNCIA, SIMPÁTICO...
MAS ELE ERA UM LOBO MAU.
CHAPEUZINHO SÓ QUERIA
LEVAR DOCES PRA VOVÓ.
SE METEU NUMA ENRASCADA,
ACABOU FOI “NA PIOR”.
O LOBO, MALDADE DANADA,
DEU CABO DA VOVOZINHA.
SOMENTE NUMA “BOCADA”
DEVOROU A VELHA INTEIRINHA.
O LOBO ERA BEM ESPERTO,
MENTIA COMO NINGUÉM.
SE VESTIU DE VOVOZINHA
PARA PODER SE DAR BEM.
E AO CHEGAR CHAPEUZINHO
NA CASA DA VÓ QUERIDA,
DUVIDOU DA TAL FIGURA,
MUITA ELA INDAGARIA:
- PARA QUE OLHOS TÃO GRANDES?
PERGUNTOU PRA TAL VOVÓ.
- É PARA ENXERGAR, QUERIDA,
PARA VÊ-LA MELHOR.
E ASSIM OUTRAS PERGUNTAS
AINDA FEZ CHAPEUZINHO.
MAS O LOBO RESPONDIA,
E MENTIA O DANADINHO.
ATÉ QUE, NUM CERTO MOMENTO,
ELE PRÓPRIO CONFESSOU:
QUERIA “PAPAR” CHAPEUZINHO
QUE VERMELHA ATÉ FICOU.
A SORTE É QUE AINDA HÁ NO MUNDO
GENTE DE BOM CORAÇÃO,
POIS SURGIU O CAÇADOR
PARA ACABAR COM O VILÃO.
RESGATOU A VOVOZINHA,
INSPIROU FINAL FELIZ,
MAS DAÍ VEM A HISTÓRIA
QUE TODO MUNDO DIZ:
NÃO DEVEMOS JAMAIS
DAR ASSUNTO PARA UM ESTRANHO.
POR TRÁS DE UM SINGELO CORDEIRO
PODE ESTAR UM LOBO TAMANHO.
PORQUE ESCREVO
Não escrevo para ilustrar desejos
ou criar metáforas,
nem pouco escrevo para expor a alma,
vontades secretas, riso, calma...
Não escrevo para acordar os sonhos,
limitar quereres
ou rimar sorrisos,
até porque, mortal, desejo o paraíso...
Não escrevo para promover abismos,
traduzir tristezas,
completar loucuras, destinos,
nem mesmo quero colher desatinos...
Escrevo porque sou poeta
e da caneta escorre
o sangue da emoção.
Escrevo porque a pena pede
o desenhar corrido,
o verso expresso da ilusão.
Escrevo porque a vida quer
o sonho, o amor, a pausa,
implora-me o verso...
O choro breve,
o riso largo,
todo o mar de cor imerso.
Escrevo porque falo assim,
sinto palavras, sonho letra
vivo a força do vocábulo.
Escrevo porque sou poeta
e se não gritar em versos
surto, morro... calo!
PRESENTE DE NATAL (2º LUGA - CONCURSO DO CLUBE INTERNACIOAL - 97 - TEMA NATAL)
Em meu velho calendário
corre solto, imaginário
o trem que traz outro mês.
E já terei meu presente,
sorrirei de tão contente
como em nenhuma outra vez.
Neste Natal diferente
uma estrela reluzente
atenderá meu pedido.
Eu terei entre meus braços
aconchegado em abraços
meu presente protegido.
Nove meses de espera,
colorida primavera,
nove meses pra dar flor.
E nascerá meu presente,
seu valor, eternamente,
será brindado com amor.
Assim terei em meu peito
tão gravado quanto eleito
este ano especial.
Quando aprendo de verdade
a total felicidade
de celebrar o Natal.
REDESCOBRINDO ORIGENS
Recolonizo minha alma a cada Bauernfest,
resgato no meu corpo o sangue alemão,
revivo do passado o valor inconteste,
versos brotam, emotivos, de antemão.
Repenso o passado, os antepassados,
sobrenome que herdei junto a valores.
Nome nato de heróis, homens tão preparados
que tornaram-se poetas, músicos, escritores.
Recolonizo as lembranças que não tive
de uma época de muito tempo atrás.
Na minha imaginação, baila e revive
o que nem vivi... Mas que diferença faz?
A cada Bauernfest lembro minha origem,
orgulhosa fico deste povo descender.
Os petropolitanos, juntos, te exigem
a Germânia em nosso peito reacender.
E assim recolonizo minha vida
e este sangue em minha prole, hei de semear.
Minha emoção jamais se sente dividida,
esta cultura e tradição, para sempre irei amar! |
Deus, num gesto tão profundo,
deu-nos de presente o mundo
repleto de paz e de luz.
Pintou tudo em harmonia,
dividiu a noite e o dia,
deu-nos o sol que reluz.
E tudo, num lindo repente,
fez-se brilho reluzente,
a vida pôs-se a brilhar.
E Deus, num grande sorriso,
ofertou o paraíso
ao mundo que pôs-se a amar.
Deus pintou a natureza,
toda de verde, a beleza
multiplicou-se ainda mais.
E isto ninguém contesta,
o vale, o verde, a floresta
transmitem amor e paz.
Deus fez com todo cuidado,
e estava muito inspirado
ao criar linda homenagem.
O rio, o fruto, a semente,
a terra, a água nascente,
todo o encanto da paisagem.
Mas o mundo tão perfeito,
precisava de um efeito
alegre e especial.
E Deus, em sua criação,
encheu-se de emoção
criando a espécie animal.
Mamíferos e passarinhos,
insetos pequenininhos,
uma coleção imensa.
E o mundo então, ganhou vida,
Deus, que bela investida,
na vida uma recompensa.
Deus, para a obra criada,
fez um ninho, fez morada,
pra cada um a seu jeito.
Aos pássaros, o céu a voar
aos peixes, a calma do mar,
Deus em tudo foi perfeito.
Deu ao urso que hiberna
o abrigo da caverna,
ao tatu, seu buraquinho.
Deu mata virgem aos selvagens
pousada aos que buscam viagens,
aos pássaros, a paz do ninho.
Juntou a água e o sol,
e num lindo arrebol
fez brilhar o arco-íris.
Aquarelas multicores
refletem por sobre as cores,
ante todos os matízes.
E a água, o bem mais completo,
na cidade ou no deserto,
símbolo-mór da vida,
Deus criou límpida e pura,
não pensou que, a esta altura,
ficasse tão poluída.
E esta inspiração gigante,
não fez-se só num instante,
houve muito pra inventar.
Em detalhes pequeninos,
sem cair em desatinos,
Deus prosseguia o criar.
Fez as estrelas do céu,
a lua que brilha ao léu,
o infinito mais anil.
A chuva, o orvalho, o sereno
e o vento mais ameno,
que mais lindo não se viu.
No céu, a rara beleza,
perfeição que à natureza
só veio a completar.
Sempre em clara luz envolto,
Neste brilho livre e solto
ao dormir e acordar.
Mas achando que podia
lapidar esta harmonia
fez o homem a sua imagem.
Deu-lhe próprio pensamento
Poder de opção, sentimento,
inteligência e coragem.
Teve um ato soberano,
um novo ser, o humano,
juntou-se ao que Deus criou.
Mas este, independente,
cresceu muito de repente
e a criador passou.
Deus em ato transparente,
crendo num homem eloqüente,
não previu a consequência.
O homem é sábio, esperto,
mas por julgar-se moderno
não respeita a sua essência.
O homem, em sua grandeza,
quis conquistar a riqueza,
inventou logo o progresso.
Fez prédios e na arquitetura,
quis prover a própria altura,
vaidoso, amou o seu sucesso.
O homem errou na medida,
sua audácia destemida,
ameaça a Criação.
Fez carros, fábricas, tudo,
mas não criou um escudo
contra a poluição.
E ameaçou os mares,
poluiu a terra e os ares
não mediu as conseqüências.
E Deus, decepcionado,
ficou com o homem assustado,
fez-lhe advertências.
Em vez de mata, a cidade,
chaminés que na verdade
só destroem a natureza.
E a poluição deságua,
jogando lixo e mágoa,
na água, no rio e represa.
E Deus, triste, desolado,
coração acinzentado
por tanta poluição,
cobrou do homem atitude,
quis mostrar-lhe que a virtude
se prova com um bom coração.
Após ser repreendido,
de consciência investido,
o homem pôs-se a refletir.
Por que destruir a beleza,
não cuidar da natureza,
por que o mundo poluir?
E pôs-se a limpar a terra,
o verde vale, a serra...
E tudo ficou perfeito!
Neste instante foi provado,
que o homem, mesmo errado,
como o mundo tem seu jeito.
Tudo foi ficando lindo,
expresso num amor infindo
entre o homem e a criação.
E o sorriso foi constante,
existente a cada instante,
num mundo sem poluição.
E a vida bem mais saudável,
com ar e água agradável,
fez-se mais bela e querida.
Agora, então, inteligente,
o homem fez-se consciente,
com qualidade de vida.
E Deus, em sua bondade,
perdoou a insanidade
do homem que ele criou.
Ele é vida que ilumina
a natureza divina
que, com suas mãos pintou.
Hoje, em cada flor que nasce,
Deus nos mostra sua face
em tamanha perfeição.
Quer que aprendamos direito,
com muito amor e respeito
pela sua Criação. |