Tão alegre, oferecias,
De forma fraterna e grata,
Mil custosas as iguarias,
Em travessas de ouro e prata.
Se perambulo, contente,
Indo, por aí, a esmo,
Em voz alta, normalmente,
Converso comigo mesmo.
Aproveitando alegrias,
Intercambiando venturas,
Rolaram horas e dias,
Com inefáveis venturas.
Há muita gente, mendace
Com alegria incontida,
Que expõe, numa falsa face,
O lado irreal da vida!
No viver de cada dia,
Eis um conceito verás:
O cultivo da alegria
Leva a colheita da paz!
Nossa alegria é real,
Sempre que a alma assimila
Ser o labor, natural,
E a consciência, tranqüila. |
É interpretar bem certo
Que, ante a morte, nos consola:
Alma é pássaro liberto,
Que se solta da gaiola!
Equiparam-se nos “nadas”,
Sem pesar posses ou raças,
Almas todas, destronadas
De sua frágeis carcaças.
Almas – cristãs com certeza,
Na fé, plena de fervor
Sobre fortuna e nobreza,
Põe caridade e amor!
Às doações infinitas
Que à alma boa amealhava,
O acervo das desditas,
De pronto, se epilogava!
Ao progredir, gera o amor.
Compondo este, em verdade,
Chega a alma ao superior
Estágio da eternidade...
Fundando-me em cristã crença,
Posso, a todos, afirmar:
Alma dá sempre presença,
DEUS a fez perenizar!...
Quando homem e mulher se enlaçam
De uma forma especial,
Se as almas também se abraçam,
A fusão faz-se integral. |
Em seu existir sensível,
Por toda a humana sorte,
É real chama inextinguível
O amor, que supera à morte!
Amor, na vida cristã,
É lua de raro esplendor,
Que se utiliza no afã
De lucificar a dor.
Dá-nos, Jesus, por destino,
Com a lua que tua vida encerra,
Mesmo um traço pequenino
Do amor, que lanças à Terra!
Dar, ao amor, inspiração,
Em sua fase qualquer,
É sempre a preocupação
De toda e qualquer mulher!
Velho casal, com alarde,
Nos demonstra, em seu fervor,
Que, aos seres jamais é tarde
Para a vivência do amor.
A vida é inferno, em verdade,
Em todo tempo e lugar,
Ao pender-se a faculdade,
Que o ALTO nos deu de amar!
Percorrendo cristãs sendas,
Ao nos, tocarem paixões,
Se o ódio exalta contendas,
Vence o amor às transgressões! |
Verdadeiras amizades
Com que, no plano, tu contas,
Envolvem, com claridades,
Toda a solidão dos montes.
À amizade de fervor,
Com que sempre tu te abrasas,
Próximo passo é o amor.
Ela, no entanto, sem asas!
Na tristeza e no perigo,
Necessário é se lembrar:
Todos querem um ombro amigo,
A fim de se consolar,
Com total sinceridade,
É o que digo, de início:
Toda a humana amizade
É a vida em exercício.
Com imprescindível espaço,
Da estrada ascensional,
Amizade, último passo
Ao amor – universal!
Das tradições, que não mentem,
Nos repassam esta fala:
Amizade só a sentem
Os capazes de inspirá-la.
Jamais encontrei medida
À amizade e ao amor;
Pois os sinto, em minha vida,
De imponderável valor!
Ansiando o amor fraternal
Que nos traz as coisas belas,
Aumentemos seu total
Sempre com novas parcelas! |