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Cadeira 34
Patrono: Paulo Gomide

Marglori

MARIA DA GLÓRIA DE ALMEIDA ARAÚJO que adotou o nome literário e artístico de MARGLORI, escreveu seu primeiro poema ainda criança, antes dos 10 anos quando começou a pintar. Aos 18 anos cursou “Belas Artes, Decoração de Interiores!” e fez dois cursos de História de Arte, cujos professores foram Toni Testononi e Win Louis Dijck. Cursou aulas de música, aprendendo a tocar violão e acordeom, se apresentando em palcos de diversas cidades junto com o fundador da “Academia de Acordeons”, Mário Mascarenhas. Como escritora e poeta, participou de diversas antologias com poemas, contos e crônicas. Tem quatro livros publicados: “Minhas emoções” (poemas); “Sinfonia dos Guarda-chuvas” “Meu amigo, meu irmão” e “Fragmentos de Cristal” (prosa). Professora de pintura e desenho, óleo sobre tela, aquarela, pastel e na arte do fogo em porcelana, tendo ainda vários outros cursos de arte. Premiada nas Artes Plásticas com Menções Honrosas a“Hors Concours”, no trabalho em porcelana com medalhas de bronze e Ouro e na literatura também com Menção Honrosa e Troféus. Patrono da cadeira 12 da Academia da escola Municipal Vila Felipe pertence também ao “Clube de Poesia do Petropolitano F.C.”. Foi cronista do jornal Diário de Petrópolis por cinco anos; escreveu na Revista Nacional, no Cenáculo e no Jornal do Bancários. Trabalhou em três Bancos: Ribeiro Junqueira, Comércio e Indústria de Minas Gerais e Nacional. É atualmente vice-presidente da Associação dos Artistas Plásticos de Petrópolis, tendo feito duas viagens à Europa em 1984, 1985 a 1986, quando visitou vários museus de artes.

É A PRIMAVERA QUE CHEGA

Sorria! É a primavera que chega!
A brisa passeia deixando no ar
O aroma suave de flor de cereja
E todo o jardim nos parece cantar!

Nos campos, as flores balançam a sorrir,
O sol nos aquece com raios de luz
E ilumina a vida, da vida o porvir,
Cantos de pássaros, as cores nos seduz.

Que força é essa da mãe natureza
Que alegra o ser, trazendo beleza?
Esta recompensa a Deus se agradece.

Que magia santa, que paz nos apraz,
Há canto no ar e há paixão capaz,
Faz nascer o dia entardecer em prece!

MINHA SAUDADE, EM TERCEIROS

Meia noite, ele me abraçando com ousadia,
Docemente me beijava e assim dizia: - Vou embora...
Surpresa e emocionada, então, eu lhe pedia:

- Não vá, espera um pouco mais, não é hora,
A noite está fria e aqueço em tuas mãos, as minhas,
Breve a noite se vai, dando lugar a aurora!

A solidão me domina e, como aves sozinhas,
Nessa gélida noite, morrerei sem teu calor em meu leito,
E minha mente te seguirá, por certo, por onde tu caminhas...

Há chuva lá fora e há um vendaval em meu peito,
Não me deixes por agora, não estou mentindo, é verdade,
Tu machucas este coração que bate forte e sem jeito!

Sofrerei de paixão, bem sei, a vida será só infelicidade,
Fique, és minha luz, cristal resplandecente
Que dá forças e magia ao meu amor, tu és minha saudade!

ESTAÇÃO PRIMAVERIL

Não há estação mais bela,
Enfeitada de cores mil.
São flores que, da janela,
Avistamos a estação gentil.

As aves cantem contentes,
Rompendo cortinas no ar
E espalham as sementes
Que um dia irão brotar.

Esta é a estação da alegria,
Das muitas férias e Natal.
Rosto feliz, gente sadia
Que do verão, só é rival.

Jardins, Campinas, valados
Que, entre flores a encantar,
Encontra-se assanhados,
Pequenos seres a voejar.

Que benção esta estação,
Que época feliz, amada,
Que acelera o coração
Como prece ritmada!

E no ritmo desta prece,
Deus ouve, feliz, contente,
Que o poeta agradece
Este especial presente.

Obrigada, sempre, Senhor,
Por esta época sutil.
Poeta, cuida com amor
Da estação primaveril!

NUM PISCAR DE OLHOS

Nasci.
Não houve alegria.
E na dança da vida
Meus olhos abri.
Senti a primeira palmada
De uma mão pesada
E chorei sentida.
E para não aborrecer,
Engoli meu pranto
Como num piscar de olhos,
Porque já sabia
O que o mundo teria
Para oferecer.
Fui bebê não amado,
Fui menina sofrida,
Sugiram meus primeiros sonhos
E no compasso do tempo
Num total abandono,
Sonhava dormindo,
Sonhava acordada.
Cresci.
Fui adolescente e jovem.
Amei.
Tive ilusões.
Tropecei nas desilusões
E chorei quando descobri o amor.
Mas o amor partiu
Atrás de outras aventuras
E, nas minhas desventuras,
Meu ser se transformou.
Na solidão, depositei meu pranto,
Na dor nasceu meu canto.
No agudo desafinado
Dado no escuro,
Derrubei barreiras.
E agora,
Como um desapontar da aurora,
Eis o que sou!
Liberta, meu ser se despertou.
Eu sou uma eterna apaixonada,
Sou tudo e não sou nada,
EU SOU UMA POETA DO AMOR!

 

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